CABELOS, CABELUDAS, DESCABELADAS – por Anna Miranda

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A volta do cabelo naturalmente cacheado chegou com força total. Agora as mulheres podem desfilar com suas cabeleiras soltas e ostentar o visual ” São João dos Carneirinhos”. Empinam o nariz e saem poderosas.O retorno dos cabelos cacheados pode passar despercebido, mas na verdade existe um gostinho de empoderamento e resistência nessa vibe ondulada. Elas agoram podem ser quem são! Não é necessario cabeleireiro, alisamento, selagem, basta lavar e passar um creminho básico, mantendo o brilho dos cabelos.

Essa semana entrei numa famosa drogaria e me deparei com duas meninas deslumbrantes, as madeixas cacheadas soltas, o brilho dos olhos e do sorriso bem mais largos. Elas me disseram que o visual iria desaparecer no dia seguinte pois não é o ” padrão ” das funcionárias da farmácia.  O padrão é um visual com um coque, cabelo preso e bem-comportado. Fiquei triste e meio revoltada. Que história é essa de interferir nos cabelos das mulheres? Em certos ambientes como uma padaria, por exemplo, as meninas usam aquelas toquinhas de plástico para o cabelo não cair na pia ou no prato. Até aí tudo bem, mas numa drogaria nao faz sentido tal ” proibição “. Ora, desde que a a Maju Coutinho exibiu suas madeixas no Jornal Nacional as mulheres foram liberadas desse preconceito absurdo! Mas os padrões são ainda dos patrões. São eles que determinam o vestuário, o cabelo e até a altura do sapato!

A história de Sansao e Dalila se aplica muito no mundo em que vivemos. No sentido contrário, é claro. Temos a força.  Não é a força de Sansao nem a força de heróis fabricados em série.  É a força da não submissão a modelos de comportamento caducos, que reforçam a imagem de uma mulher que se transforma a cada dia, a cada passo, a cada pequena ou grande conquista.

Não podemos aceitar viver literalmente encaixadas e enfaixadas nos absurdos de um mundo patriarcal. Não precisamos usar o cabelo da Vanessa da Mata se esse não é o nosso estilo. Mas no meu entender é urgente compreender que vivemos em um mundo simbólico, e cada símbolo que entra em declínio será substituido por outro. Lutemos pelo visual que favoreça não só a imagem externa de nós mesmas,  mas  também a força e a luz interna que carregamos desde os tempos imemoriais.

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