Claudia Veras estreia no @portalmempi: Ginástica Cerebral – fonoaudiologia, informática e neurociência alinhadas à saúde na terceira idade

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As redes sociais já foram descritas, há algum tempo pela Sociologia, como sendo de fundamental importância ao ser humano. Somos um ser social por essência.
Quando bebês, temos a rede social da família que se forma em torno de nós sem ao menos conhecermos todos os integrantes ainda por vir. Depois chega a rede social dos amigos enquanto se é criança, jovem e adulto. Nesse texto, a idade madura ou terceira idade está contida na categoria do adulto, assim como criança e adolescente estão na categoria criança. Na última fase da vida parece que as relações sociais diminuem consideravelmente. O motivo do não incremento relacional pode ter a ver com as limitações físicas, espaciais, sociais, culturais, além das limitações técnicas do mundo contemporâneo.

Atualmente existem os sujeitos chamados “nativos digitais”, que nasceram a partir da última década do século passado, já conectados ao universo da cibernética. Os indivíduos que não nasceram neste mundo conectado, mas ainda eram jovens para aprender a nova técnica são os sujeitos “híbridos”. Transitam, na maioria das vezes, entre o mundo dos fios e o mundo material, analógico, mundo anterior ao da internet.

Já os sujeitos com mais tempo vivos, os da terceira idade, apresentam uma dificuldade extrema no acesso à internet e no uso das mídias sociais. Eles contam com duas dificuldades centrais, a primeira é que as funções executivas[1] perderam a potência da juventude, ou seja, para além do desgaste provocado pelo avançar da idade estas propriedades estão sendo pouco estimuladas, tanto do ponto de vista da fisiologia quanto do ponto de vista da cultura.

O acesso às mídias sociais (Facebook, WhatsApp, Twitter, Instagram etc) pode ser um caminho que diminua os efeitos da idade sobre a cognição do idoso ou da idosa, tendo em vista que o caminho técnico da conexão à internet se faz por processos que englobam as funções executivas. Quando o internauta posta uma foto no Facebook exercita um aspecto ou mais das funções que compõem a cognição, além de estimular a socialização que é vital para todos os seres humanos. A convivência com os seus pares ou com novas conexões no universo da WEB é importante porque referenda a inclusão social e a inclusão digital.

 As funções executivas são oxigenadas pelos aspectos motivacionais e estimuladas a partir da “musculação” cognitiva que o cérebro faz quando inquirido. NO PAIN NO GAIN, o cérebro precisa estar em movimento, tornar sensíveis as funções executivas para além do “piloto automático”.

As relações sociais na era da sociedade da informação são feitas em grande medida pelas mídias sociais, os encontros que são desenvolvidos nestes terrenos podem ser importantes para a terceira idade, assim como o é em praticamente todas as idades do ser vivente. Então, se a falta de competência técnica e informacional do idoso em acessar a internet se alia ao isolamento social característico desta fase, poderemos observar um ensimesmamento que resultará em tristeza e depressão, além de enfraquecer a área cognitiva por conta do desgaste e da falta de exercícios cerebrais.

A fonoaudiologia que compreende o sujeito como um todo e, não somente a queixa circunscrita a alguma região do corpo, trabalha buscando o equilíbrio entre todas as partes.

Neste texto, a abordagem da fonoaudiologia esteve em terrenos da neurociência e da informática. As disciplinas interagem para diminuir os efeitos do tempo no corpo que pode ser estimulado por toda a vida.

[1] Segundo Gioia & Isquith (2004): “As funções executivas servem como um sistema integrado de de controle regulatório sobre as funções neuropsicológicas, de domínio específico básico (por exemplo, linguagem, funções visuo-espaciais, a memória, a experiência emocional, habilidades motoras) a serviço de alcançar um objetivo pretendido “(p.139).

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