Cordel sobre Violência Urbana – Por Luzinete Fontelene

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Um corpo na calçada
Uma cortina de tristeza
A cena que é passada
Não revela uma beleza

É uma vítima urbana
Um homem bem alto
Um cara todo bacana
Que resistiu a um assalto

Na porta da igreja
Um garoto delinqüente
Um noivo ele alveja
Num ato inconseqüente

Habituado naquele meio
Não pensou na conseqüência
Antes de fazer bem feio
Sem nenhuma inocência

Pois uma mulher apaixonada
Vendo o noivo estirado
Olhando a igreja lotada
E o seu coração enlutado

Nessa hora ela pensou:
Meu Deus que mal eu fiz?
Do dia que mais sonhei
Ser para nós o mais feliz…

Tão grande era mazela
Naquela dor sem igual
Parecia cena de novela
Com o mais  triste final

Foi quando alguém gritou
Do outro lado da rua
Ele errou no que mirou
Levanta que a noiva é tua

O noivo levantou
Num passo de magia
Na mão dela segurou
E a olhou com alegria

Disse: cortejo pode tocar
Segue pro casamento
A noiva pode entrar
Não tem indeferimento

Padre, comece logo
Uma bonita cerimônia
Seja breve no dialogo
Pois nós vamos pra Lapônia

Volto depois de anos
Pra celebrar nossas bodas
O símbolo será o estanho
Como fazem as noivas todas

Do rumo que eles tiveram
Dos caminhos à sua frente
Não digo o que  fizeram
Foram felizes para sempre

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