Crosley preta da vovó – por Clarissa Vilar

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Eu não lembro de minha avó paterna. O que sei dela é por foto ou  estórias de família.

Calada, boa esposa, mãe rígida, boa cozinheira, gostava de cães e gatos e oferecer coca-cola para as visitas.

Era costureira também. Possuia uma Crosley preta, que uma parente a guarda a sete chaves.

Eu a  conheço. Foi a primeira máquina de costura que mexi na vida. Ainda funciona, o pedal está bom. As gavetinhas da mesinha parecem conter/esconder estórias e muita nostalgia.

Se tornou meu objeto de desejo, mas a parente não se desapega de jeito nenhum.

Qual foi minha surpresa este ano? Poucos dias depois do dia dos avó, soube que a máquina seria minha.

Reservei o cantinho do meu quarto para guardá-la, como decoração afetiva.

Sinto a presença de vovó quando chego perto da Crosley. O cheiro dela parece me aproximar da vovó,  fazendo-me experimentar sua doçura.

A vontade de sentir saudades grita no meu peito. Incrível! Logo dela, que costurava silêncios.

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