Influencers – O que nunca te contaram. – por Patricia Mellodi

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Não sei se esse Aedes aegypti que me picou além de inflamar minhas articulações abalou meus nervos, porque a verdade é que fiquei um tanto mais irritada, especialmente com gente que faz dramas exacerbados, com esta resistência de mudança que muitos ainda tem, e principalmente esses influencers que querem nos vender  tudo na base da sugestão passiva agressiva disfarçado de dica.

 A publicidade entrou em crise com relação aos seus veículos, ninguém vê mais TV, e com o surgimento das redes sociais e das celebridades desse veículo, o foco agora da publicidade é a galera que tem seguidores, pode ser um boboca, teve mais de 1k de seguidor vira um poderoso influenciador de gente imediatamente. Tem muita bobagem, meus amigos e amigas, gente que não vale a pena seguir, que não diz lé com cré, agora tem o poder de arrebatar multidões, e de nos convencer a comprar  “ até sapato vermelho pra primeira comunhão”, como diria meu querido tio Renato.

 Eu até gosto de alguns influencers e celebridades do mundo virtual, não por terem seguidores, definitivamente não sigo a boiada, sou do partido da vaquinha independente, mas por dizerem algo relevante, terem um trabalho bacana e verdadeiro. Mas ter esse poder de massa na mão sem ter critério me assusta, e me faz pensar bastante sobre o mundo atual que tanto influencia nossos filhos e a nós mesmos. E como esse povo é besta, senhor! Acredita em tudo, segue o influencer como se fosse um deus e sonha ser igual a ele, ter um canal, um vlogger, e estourar no mundo nem que seja fazendo caretas e sons sem nexo, ou fazendo a dieta da luz e consumir tudo o que ele consome e indica, nem que seja um colírio de limão pra pingar na unha, ou um batom de 500 reais que vale 20.  

 Basta um famosinho do insta cheio de k dizer: – Olha isso que legal!, que as pessoas que não pagam nem o que comem direito, se estrebucham nos cartões e estouram suas contas poupança para obterem tal coisa.  É uma loucura, indicam de tudo, de profissionais a livros, de rímel a calcinha, de restaurante a empresa de faxina. Tem quem pague por essa divulgação, dependendo do influencer e do produto, coisa de muitos mil reais. Eu sei de tabelas que são astronômicas. (Vontade de dizer os nomes das celebridades e os preços! Hahahaha! Mas não vou. Sou ética e não estou com inveja, também faço das  minhas publicidades)

 Não sou uma radical, muito menos alguém que não quer vender, sim eu também quero vender e quero comprar, vendo arte, vendo pães, livros, e produtos alheios que acredito e gosto de fato, e compro milhares de coisas que necessito ou me agradam, sei que uma publicidade bem feita é a alma do negócio. E não demonizo o comércio de jeito nenhum, sou uma personalidade, tenho meu poder de venda, mas vejo que mais do  que nunca é preciso ter crítica, é preciso ser consciente no consumo, e é preciso não ser tão crédulo e inocente. A formação de base é fundamental, especialmente dentro das escolas, universidades e principalmente nas famílias.

 Não pense que aquela celebridade está indicando seja o que for de graça, nunca é de graça,  ele está sempre ganhando, ou em produtos ou em dinheiro, e as vezes muito dinheiro. Pode ser que seja alguém amigo, mas isso é evento bissexto. A pessoa as vezes cita um projeto, ou um profissional não porque ama ou acredita, mas simplesmente porque está recebendo muito bem. Aqueles elogios rasgados, aquele “eu amo de paixão” é  tudo interesse comercial sem sinceridade. No comércio as vezes é assim.

Mas o que eu quero com isso, ser uma chata, ser o mister M. da rede social e desvendar o mistério do sucesso das vendas alheias, ser uma opositora de celebridade? Não, gente, longe de mim. Vender é uma arte, e  pra mim a base disso é a honestidade, a sinceridade, é acreditar de fato que aquilo é bom pra as pessoas. E como compradora, eu questiono sim a fonte, quem está dizendo, mas acima disso eu questiono a minha necessidade, o meu gosto, meus valores. E assim educo minha filha, que tem seus ídolos virtuais. E pra criança é um inferno, elas enlouquecem com as propagandas. E todo pai e mãe faz qualquer coisa pelo filho. Não é? E aí a indicação de um influencer vira algo muito sério.

 Você acredita que a Sandy usa óleos paixão? Você acredita que a Claudia a Raia tira maquiagem com leite de colônia, aquele do vidro verde? Você acredita? Eu não sei… Eu sei que é comércio, que é publicidade e tem um cachê bacana envolvido. Se eu gosto de óleos paixão, eu compro, mas não porque a Sandy falou. Ela pode suscitar a minha curiosidade, isso é justo e faz parte do negócio,  mas consumir não me faz a Sandy, até porque isso é impossível. Sejamos inteligentes e críticos.

 O fato é que estou cansada de ver propagandas enganosas, estou chocada com a quantidade absurda de pessoas que vendem de tudo de forma ostensiva em seus espaços nas redes sociais sem nenhum critério, e fico mais absurdada ainda de ver o quanto as pessoas compram, consumem e passam a seguir indicações sem nem se perguntar se aquilo é realmente bom. Quando é arte então… Quantos livros, filmes, cds, profissionais e produtos artísticos  de baixíssima qualidade estouram por causa de um influencer de grande porte que recebeu uma bela quantia em várias prestações de acordo com a quantidade de vezes que cita o produto? O Jabá se institucionalizou de vez, ok, mas agora não mais na tv e nas rádios, agora é através das celebridades. Tudo bem se isso fosse um espaço publicitário claro, eu também pago por propaganda, e pago feliz, mas o que acontece é que a gente acredita que aquela celebridade, que é uma pessoa como a gente e não uma instituição,  realmente gosta e usa aquele produto. E na maioria das vezes não é verdade. Acho mais grave. A era do Q.I. é agora. Mas quem indica deveria indicar com verdade e responsabilidade.

Minha dica é que nós consumidores despertemos pra essa realidade e desenvolvamos um senso crítico, e o comerciante ou aquele que quer vender seu produto, como eu,  escolha um influencer criterioso e que tenha realmente credibilidade e um real envolvimento com o seu produto. E o famoso, a celebridade influencer, que de certa forma também sou, que passe a aceitar divulgar com critério, mesmo ganhando bem, lembrando que do outro lado do seu computador são pessoas, seres humanos, as vezes crianças em formação, as vezes moças e moços pobres que acreditam que não serão ninguém sem aquilo que você diz que é a vida. Bom, sou utópica mesmo, mas miro no ideal. Em tudo há que haver responsabilidade e consciência.

 Mas pra fechar, repito: Não acreditem em tudo o que dizem e formem seus filhos para questionar. Não somos o que temos ou fazemos, somos o que somos, o que temos de conhecimento e valor, o resto é enfeite, é complementar, não base. Sempre que vejo alguém fazendo publicidade sem critério lembro de um amigo que dizia quando ia aceitar um trabalho: “ – Ou é por amor ou é por dinheiro, e como eu não te amo…. “ Acorda, Brasil!

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