Meditação além de Religião – por Juliana Fiúza

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A prática da Meditação talvez seja tão antiga quanto a própria humanidade e sua origem remonta de muito tempo antes dos registros escritos.

Quando olhamos para a histórias das mais antigas civilizações e suas tradições que ainda hoje são carregadas pelos praticantes, não só na índia, mas nos aborígenes australianos e nos nativos do norte e do sul da américa, percebemos que a meditação e as práticas espirituais, em geral, sempre foram a preservação do conhecimento daqueles que viveram uma vida de total dedicação até ter acesso a os conhecimentos que permeiam o tempo e as culturas, tornando-se também guias espirituais da humanidade.

Em muitas culturas, este caminho espiritual e as técnicas que levam a ele eram ensinadas secretamente para um pequeno grupo de pessoas – ou porque foram escolhidas no nascimento (como o Dalai Lama do Budismo Tibetano) ou por terem nascido em uma família que tinha como dever preservar este conhecimento através das gerações (como os Brahmanes na India).

Foi apenas muito recentemente com a explosão dos meios de comunicação em massa, que este conhecimento secreto se tornou largamente disponível para todos aqueles interessados em aprender e praticar as técnicas.

Se tirarmos todos os símbolos que gravitam em torno das diversas formas de prática religiosa, poderemos perceber que as técnicas de meditação secretas são bastante similares. Estas técnicas todas ajudam o praticante a aquietar corpo e mente e deixar que fluam os pensamentos com relação ao passado e ao futuro sem apegar-se a eles, no objetivo de direcionar atenção para o momento presente, para os processos também internos.

Essa atitude perante a vida, trazida por estas técnicas, muda a qualidade de nossa atividade cerebral, permitindo que exista não apenas o estado de atividade, mas também o estado de contemplação. Nessas condições, a experiência do estado meditativo pode se desenvolver.

Na maior parte das tradições, as práticas espirituais são aprendidas enquanto o praticante vive em uma comunidade, como um ashram ou monastério, que tem atividades diferentes das atividades habituais do dia a dia.

As meditações diárias e solitárias sempre são mescladas com atividades que são feitas como um serviço para a comunidade. Quando o praticante tem a capacidade de permanecer com atitude de meditação “no mercado” como “no topo da montanha”, seu trabalho na comunidade está finalizado e em alguns casos ele poderá ensinar aquilo que aprendeu a quem se interessar.

Quando voltam para o mundo, é preciso uma pratica sempre firme para que não se percam nas seduções da fama e adulação de seguidores, afinal de contas, desejoso pelo amor e reconhecimento por parte dos outros, torna a mente do praticante instável e faz com que não haja como tem que agir, por medo e necessidade de agradar, o que o torna um “falso guru”.

Antigamente, poucos eram permitidos estudar. Mulheres, serventes, trabalhadores braçais, muitas vezes eram excluídos das escolas, o que não foi impedimento para que muitos deles encontrassem seus próprios meios de se tornarem grandes praticantes. É que a vontade, o desejo ardente por este conhecimento sempre abriu as portas mais difíceis e para Deus nunca houve qualquer tipo de limites.

Nos dias de hoje temos a grande oportunidade de entrar em contato com esse conhecimento, não importando gênero, nacionalidade, classe social, e todos podem se beneficiar das mesmas práticas que serviram de alicerce para o amadurecimento dos mestres mais antigos.

Para que a pratica de meditação traga frutos na vida diária existem 4 elementos que precisam estar presentes: instruções corretas acerca da pratica; capacidade de se concentrar em um único ponto por alguém tempo; observar os insights surgidos na pratica de meditação; buscar uma forma de aplica-los na vida diária.

O estado final na verdade não é um estado, mas assentar-se na própria natureza do praticante que é sempre calma e tranquila e de lá observar os pensamentos, as memórias e toda a dança da vida.

A prática de meditação é acumulativa, então, não há sequer um esforço que seja perdido.

Respirando profundamente

Uma das práticas de meditação mais difundidas no ocidente é a prática que traz o foco da atenção para a respiração em todo seu processo: com inspiração, retenção de pulmão cheio, expiração, retenção de pulmão vazio. É importante perceber que a respiração tem estes quatro momentos.

Respirar profundamente induz um estado de profundo relaxamento no sistema nervoso e é uma técnica muito simples que pode ser feita em qualquer lugar. Basta sentar-se de coluna ereta, com os ombros levemente para trás e para baixo, dando espaço para que o peito de abra ligeiramente, deixando também o queixo levemente para dentro, alongamento suavemente o pescoço para frente.

E, então, você pode fazer respirações profundas e observar todo seu movimento respiratório. Pode colocar o celular e começar com 3 minutos, depois 5 e ir observando os resultados inegáveis da prática.

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