Olheiras – por Daniela Moraes Souza

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Oi pessoal, hoje eu vou falar sobre olheiras, uma alteração discromia que, embora não seja considerada uma doença, é uma queixa muito comum no consultório, por isso, resolvi escrever esse post.

 Conceitualmente, olheira é uma discromia causada pela diferença de cor da pele palpebral e do restante da face.

Existem três tipos diferentes de olheiras:

  1. Olheiras predominantemente vascular: quando predomina o pigmento de hemossiderina.

  2. Olheira predominantemente melânica: quando predomina a melanina.

  3. Olheira mista: quando não é possível definir qual o pigmento predominante.

 O diagnóstico do tipo de olheira é clínico. Na olheira predominantemente vascular é possível visualizar os vasinhos e o pigmento arroxeado sob a pele palpebral, por transparência, ao tracioná-la para baixo. Já na olheira predominantemente melânica ocorre mudança da cor da pele palpebral, que encontra-se mais escurecida. E na olheira mista, que corresponde a maioria das olheiras, ocorre ambas as alterações.

 A Olheira predominantemente vascular possui padrão de herança familiar autossômica dominante e, por isso, surge mais precocemente, ainda na Infância ou na adolescência.

 A pálpebra possui uma vascularização muito rica e vários fatores como alergias, respiração bucal, medicamentos, privação de sono etc,  podem estimular a vasodilatação desses vasos palpebrais. A medida que eles se dilatam uma pequena quantidade de sangue (e de seu pigmento hemossiderina) é depositado no compartimento palpebral onde sofrerá metabolização. Todo esse processo pode ser visualizado através  da finíssima pele palpebral, como uma mancha de coloração azulada ou arroxeada.

 Por apresentar em sua fisiopatogenia fatores genéticos e fisiológicos envolvidos, a olheira vascular costuma ser mais resistente ao tratamento do que os outros tipos de olheiras.

 As olheiras predominantemente melânica, ocorrem mais em adultos, especialmente nos de pele mais morena. Embora as pessoas de pele mais escura não possuam um maior número de melanócitos (celulas que produzem melanina), mas os melanócitos que elas possuem são mais eficientes e com “memória” celular, ou seja, ao menor estímulo (por exemplo, uma exposição solar) as suas células já iniciam a produção de melanina.

 Não existe tratamento definitivo para olheira devido a natureza multifatorial desta discromia.

O tratamento visa amenizar a diferença de cor entre as pálpebras inferiores e o resto da face.

 A importância de classificar o tipo de hiperpigmentação  reside na variação da resposta terapêutica que apresentam.

 Recentemente fiz um ensaio clínico com 62 pacientes para testar quatro medicações tópicas para olheiras: bastão de ácido tioglicólico 2.5%, gel de haloxyl 2%, creme de hidroquinona 2% e peeling de ácido tioglicólico 10%.

 No meu estudo consegui observar uma melhor resposta terapêutica nas olheiras melânicas e mistas enquanto que as olheiras vasculares apresentaram uma maior resistência ao tratamento.

 Os pacientes ficaram satisfeitos com todos os tratamentos testados, principalmente com o ácido tioglicólico e com o haloxyl.

 Eu recomendo muito o tratamento para olheira. Apesar de não existir cura completa para essa discromia, o tratamento diminui a concentração do pigmento predominante, clareando um pouco a região.

 O clareamento, mesmo que seja parcial, diminui muito aquele “olhar cansado” que a pigmentação provoca.

Não esqueça de que todos os tratamentos devem ser indicados e acompanhados por um Dermatologista. Somente ele saberá classificar o seu tipo de olheira e prescrever o tratamento mais indicado para você.

Um grande beijo.

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