Prazer dona Raquel, meu nome é decote! – por Clarissa Vilar

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-Miga, tá na hora!

Paula, minha amiga jornalista, havia me produzido para uma balada alternativa na terra da garoa.

Ela me emprestou uma blusa preta PP, que coube milagrosamente, já que visto GG. A blusa vinha com um generoso decote, que realçava o colo.Vendo que eu não tirava o casaco, ela disse a tal frase.

Bem, São Paulo para mim é um excelente lugar para novas experiências e mandar certas coisas pro alto.

E foi o que fiz naquela noite com meu puritanismo  aprendido, vestindo a camisa dos 30. Ou melhor, mostrando o decote.

Sempre foi cômico a maneira como mamãe regulou o uso de decotes em mim.

Desde pequena meu colo e busto é elogiado.Mesmo com quase 30 anos, sou censurada. E não adianta eu dizer que sou quase uma mulher de Balzac. É inútil.

A discrição e elegância é sua marca.O lado mãe eterna aparece no cuidado do decote. Este vêm como um sinal de novos tempos. Mas boas mães não querem saber se somos crianças ou adultos.

O decote é um símbolo do “green pass” da sedução.Contudo, deixo mamãe ser minha fiscal por puro amor. Ainda bem que ela tem bom gosto.

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