Sobre sexo, desejo e outras delicias – por Patrícia Mellodi

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Tabu? Assunto proibido? Algo que pertence a minha intimidade e não interessa a ninguém? Ah, que desculpem os mais pudicos, mas posso sim falar da minha sexualidade aqui, sem medo, sem pudores, e ainda ajudar a muita gente, e principalmente a mim mesma. É trocando informações, é falando que nos percebemos, nos identificamos, e vamos ampliando essa maravilha que é a consciência do corpo, dos seus mistérios e dos seus prazeres. Diferente do que muitos pensam e dizem, eu considero o sexo sagrado, lindo e maravilhoso mesmo quando sem compromisso. Não, eu não sou a favor se guardar para o matrimônio, ou para o verdadeiro amor, só se esse for seu desejo, afinal, a nossa sexualidade e nosso desejo é nosso, e nossas fantasias são nossas e devemos realizá-las a nosso contento. Se te dá prazer ser virgem até lá, faça, ou melhor, não faça. Eu não aconselho, mas a escolha é sua.

Para mim, o sexo é preciso testar, treinar, vê se dá encaixe e se tem química. Tem pessoas que são gostosas visualmente, falam e beijam bem, e na hora da cama é uma droga. Imagina arriscar a me casar com um desses?! Deus me livre! Test Drive, por favor. Sexo é fundamental, sim. Não se sustenta por si só, mas sem ele não é casamento,  é amizade. É o sexo que aprofunda a intimidade, é na fusão dos corpos, fluidos e sensações que nos tornamos um só, eis a nossa existência material e realização física. Sou feita de carne e osso, mas não separo alma e corpo, nem vejo meu corpo como mal e minha alma como bem. Acho que os prazeres da carne também elevam, também nos fazem transcender. Taí o Kama sutra, os indianos e seu conhecimento milenar sobre a transcendência da alma através do sexo (o sexo tântrico), a kundalini… Vale a pena se aprofundar e quebrar os paradigmas e preconceitos para ser feliz e sexual sem culpas e rótulos.

Penso assim: – Se Deus fosse contra ao nosso prazer e a nossa potência não nos daria o orgasmo múltiplo. O que queria Deus nos dando tamanho prazer? E me respondo: – Ele queria que tirássemos proveito do corpo e usássemos isso para o bem universal. Daí vem a máxima de que gente que goza (ou gozou em sua juventude) é feliz e não enche o saco de ninguém. Gente que transa é mais legal, né? Desculpa a mistura do sacro e do profano, mas eu não separo as coisas. Acho que minha sexualidade é coisa de Deus. Lembrei de Santa Teresinha D´ Ávila e seu êxtase…. Não joguem pedras na Geni, olha lá!

Mas controversamente, eu digo, podemos sim ter um só homem, restará a dúvida e a fantasia dos outros tipos, formatos e sensações (a gente pensa muita coisa que não diz e nem deve dizer), mas isso não implica em realização sexual. Conheço mulheres de um homem só que foram mais felizes sexualmente que as que tiveram mil parceiros e experiências, não tem regra. Tem gente que se realiza na multiplicidade, e daí? Respeite também. Tem a sensação de completude, tem fantasia, tem personalidade. Tem a história de cada um. Eu sou daquelas que tiveram experiências, e não me arrependo. Estou cada dia melhor e mais consciente do meu corpo e do que eu quero e não quero. E eu quero gastar com alegria, leveza e consciência.  Mas me resta o desejo ancestral de ser de um só. A monogamia é uma imposição genética da minha sexualidade. Quero tudo com o “meu amor”. Mas não gosto de caretice, nem de coisa mais ou menos, quero ser livre, potente e múltipla no meu próprio cárcere e alcova. Filosofei legal agora! Rs! No fundo no fundo sou romântica, mas sou erótica, o que tem demais?

Conheço gente que poda a sexualidade do parceiro por ciúme, por medo, por achar que se ela ou ele deseja certas coisas, é porque vai trair, vai passar dos limites. E para controlar o sexo alheio eu não faço, eu não digo, eu não permito, eu não vou, eu não vejo, eu não visto. Se eu libero o outro para fazer o que deseja, para falar o que pensa, para dividir suas fantasias, ou mesmo realizá-las comigo, eu vou ter que dar conta, e como eu não dou, eu prefiro me privar a ter acesso a isso.

Ou seja, eu perco milhares de prazeres e a cumplicidade inesgotável com meu parceiro (a) porque sou ciumento, pudico, porque sou possessivo e controlador. Eu não admito que o outro seja pleno, mesmo que isso me limite, me prejudique. Praticamente jogo meu amor no covil das tentações, porque ninguém controla a imaginação e o desejo, lamento. O resultado disso é sempre triste: Separações, traições, vida dupla, ou também, se a pessoa vier a abrir mão de sua sexualidade, o que tem demais por aí, o sexo é sublimável sim (conheço milhares de pessoas que deixaram de transar jovens), ela se torna deprimida, histérica, ciumenta mórbida, e acaba na tarja preta, e cheia de questões psicológicas, psiquiátricas, quiçá com um câncer, uma doença degenerativa. Não se abafa a sexualidade impunimente. Não faça e nem peça isso a ninguém, é um crime abrir mão ou querer que alguém abra mão de algo tão vital.

No sexo o que me interessa mesmo é a intimidade, a generosidade, o importar-se com o outro e comigo também, o sentimento de respeito, a sensação de troca, e nunca, nunca mesmo de poder.  E como disse Jung, “Onde há poder não há amor.” E claro, é fundamental admiração, mesmo que física e momentânea. Essa é minha regra para o sexo. Mas tem outras reticencias. Especialmente não me furte da fantasia, eu preciso fantasiar, brincar, se eu ficar realista demais vou brochar. E como sou mulher, como a maioria delas, quando eu brocho é para sempre, não tem carinho que levante meu membro invisível.

Sexo é bom, gente! Não é feio, não é proibido, não é sujo, é uma delícia!  E não faça com moderação. Sexo é brincadeira, é livre, é bonito e poético. Eu particularmente acho lindo dois corpos se entrelaçando, sem preconceito, só com prazer.

Se querem saber, já fui extremamente sexual e completamente celibatária (pasmem!) já negociei com o que não me dava prazer, abri mão de minhas fantasias, já me negligenciei, já me senti subutilizada, pensei que era errado, pecado, já percebi que era um desperdício, e posso do alto dos meus 40  dizer a todas e todos, que sexo é uma potência natural do ser humano, não façam concessões no prazer, tenham prazer, busquem parceiros que aceitem com tranquilidade suas fantasias e desejos, não negociem com a química, se não bateu caia fora, não ultrapasse os limites da sua pessoa, respeite seus pudores, mas enfrente-os se for do seu desejo.

Não faça sexo por coisas, situações, ou qualquer outro poder, não abra mão de sua sexualidade por nada, cada um é responsável pela sua própria sexualidade, não carregue os problemas sexuais de ninguém, nem por conveniências, nem por filhos, nem por nada. Vida o que a natureza te deu com respeito, amor, e entrega. Ame seu corpo com as formas e os cheiros que ele tem, faça sexo seguro. Faça sexo. E se não quiser, deixa que eu faço. Hahahaha!

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