Um bilhete do velho coração – por Clarissa Vilar

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“Hello, my old heart

How have you been?

How is it, being locked away?

Well don’t you worry

In there, you’re safe

And it’s true, you’ll never beat

But you’ll never break”

The Oh Hellos

Ao novo coração,

Aí está você. Te acordei? Se sim, desculpe, volte a dormir, você é como um  bebê, dorme e acorda nos horários mais improváveis. Se não, pare e leia esse bilhete.

Se eu pudesse  te dar um conselho diria: desapegue-se. Pelo menos, do maior número de coisas possíveis.

Desapegue-se de ganhar sempre. Desapegue-se de memórias dolorosas. Desapegue de ter sempre razão. Desapegue de revidar. Desapegue de resultados temporários. Como dizia Fernando Pessoa:

  

Quer pouco: terás tudo.
Quer nada: serás livre.
O mesmo amor que tenham
Por nós, quer-nos, oprime-nos. 


Mas nunca desapegue do amor próprio e de dar o melhor de você, sempre.

O que o amor ainda não sabe é que você estará novinho em folha, cheirando a colônia de bebê, enquanto eu estou aqui, cheio de crenças antigas, amores cheirando a pó de armário, guardadinho na lembrança de minha dona. De mim, já basta, estou mais que vivido. Todos os traumas, choques, feridinhas estão aqui guardadinhos.

 Desculpe, mas é a verdade, corações precisam se regenerar também.

Mas aproveite que essa dona está cada dia mais positiva. Aproveite, Novo coração.

E que você possa bater  cada dia mais rápido.

 

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