Uma brasileira na Etiópia – Por Cristina Paiva

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Desembarquei na capital da Etiópia após 20 dias de templos, praias, passeios de tuc tuc, muita comida estranha e sem muita expectativa. Afinal, o que o mundo comenta da desse país? Calor escaldante, a fome que o assolou na década de 80 e Lucy, o esqueleto humano mais antigo que se tem notícia exposto em um museu. Adis Abeba, a capital, foi fundada em um dia de primavera daí o significado do nome ” Nova flor”. Baseada nisso, desembarquei com minhas malas de verão e quebrei a cara logo ao sair do aeroporto porque estava fazendo 18 graus. 

Adis Abeba 1 x Cristina 0 

Guia me esperando com a plaquinha e no caminho do hotel achei que a cidade havia sido bombardeada ou passado por um terremoto recente porque é tanta obra, tanto prédio subindo que comecei a duvidar se minha escolha de passar 48 por aqui tinha sido acertada. 

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Sono em dia e lá fui eu ao encontro de Lucy,o esqueleto humano encontrado aqui no país com mais de 3 milhões de anos. Achei o museu meio caidinho por está abrigando algo de tamanha importância e nessa altura já tinha entregado a Deus a minha primeira aventura no continente africano.Só que ao chegar na St. Geoger’s Cathedral e o guia local me apresentar o museu anexo comecei a entender a história e jornada do povo etíope . Um povo que construiu uma catedral por ganhar uma guerra contra os italianos mas que se orgulha acima de tudo por nunca ter sido colonizado por nenhuma potência européia. 

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Lá fui eu tirar uma foto da catedral com meu pau de selfie e um senhor sentado no banco da praça começou a rosnar pedindo que eu tirasse o celular da sua direção. Ele só se acalmou quando mostrei que queria fotografar a mim e não a ele. Imediatamente começamos a rir juntos e me perguntei que povo é esse que não tem acesso ou não conhece certos recursos fotográficos?

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Mas ao mesmo tempo tem um sorriso fácil para você e te cumprimenta sempre que você passa.

Passei a notar olhares sobre mim e nessa hora me lembrei que eu, uma mulher de pele branca, era estranha e rara naquele país de rastafáris, Lucy e o desconhecimento do que é um pau de selfie. 

Nessa altura do campeonato percebi que meu Facebook não funcionava e ao conversar com o guia soube que devido aos protestos contra o governo e organizações rebeldes se organizarem através da rede, hoje, utilizá-lo é crime, por aqui. Mas pelo menos se funcionasse só ia falar bem do país, prometi internamente. Sem chance.

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À noite ao ir em um restaurante cultural e vê a alegria daquele povo com suas danças e roupas típicas, mais uma vez o sorriso fácil, a vontade em servir o visitante, a forma como mostram o que o país tem de melhor percebi que a riqueza da Etiópia não está na tecnologia, nos museus perfeitos, nos monumentos bem cuidados. Está nas pessoas que mesmo com toda história sofrida e de luta do povo etíope, não deixam de sorrir e acreditar. E nesse momento me rendi ao país e ao seu povo. Viva a Etiópia ! 

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Cristina Paiva

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