A formação de clusters e de arranjos produtivos locais otimizam a vantagem competitiva nas microempresas e empresas de pequeno porte – por Nara Cronemberger

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É uma realidade irrefutável o ambiente heterogêneo em que as empresas estão inseridas. São marcados pela instabilidade própria dos sistemas abertos, onde recebem constantemente influências internas e externas. Termos como flexibilidade, adaptabilidade, agilidade e competitividade são permeados pelos tecidos organizacionais. E como enfrentar esse ambiente e conseguir sobreviver no mercado empresarial? Várias ferramentas já foram identificadas e aplicadas no sentido de viabilizar a eficiência e a eficácia da gestão empresarial. Qual o gestor que nunca ouviu falar em benchmarketing, downsizing, reengenharia, empowerment e gestão pela qualidade total? São instrumentos de gestão difundidos globalmente na busca da excelência organizacional.

Tomando o mesmo cenário empresarial, vamos abordar a formação de clusters, bem como a formação de arranjos produtivos locais (APL) como agregadores de vantagem competitiva para as empresas, em destaque para as microempresas e empresas de pequeno porte.

Entender o que vem a ser um cluster é indispensável traçar uma linha no tempo e voltarmos ao ano de 1990, quando na oportunidade o economista Michael E. Porter na sua obra Competitive Advantages of Nations (“As vantagens competitivas das nações”) tratou de difundir o conceito de cluster. Para Porter, cluster é definido como uma concentração de empresas de um setor de atividade determinado e outras organizações relacionadas, sejam elas de fornecedores de insumos a instituições educacionais e clientes de tais organizações.

Na prática, o cluster objetiva produtividade entre as empresas tornando-as competitivas no mercado com o apoio dos atores das entidades governamentais, empresas, fornecedores e demais instituições locais.

Numa semelhante linha de raciocínio surgem os Arranjos Produtivos Locais (APLs) que, segundo Lastres e Cassiolato (2003), são aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais com foco em determinado segmento de produção, que apresentam vínculos, envolvendo a participação e interação entre as empresas – sejam as produtoras de bens e serviços, as que comercializam, as prestadoras de serviços, clientes internos e externos, bem como as associações – desenvolvendo processos compartilhados e especializados com alto grau de colaboração, cooperação e complementaridade.

Os clusters e os APLs, quando formados, são materializados pelo expressivo desenvolvimento econômico e social da região. De acordo com Porter, os clusters têm o potencial de melhorar a competitividade através da adoção de três providências elementares: Incrementando a produtividade das empresas ligadas ao cluster; Aportando inovação e Estimulando a criação de novas empresas. Segundo Porter, tais providências são motivadas pela necessidade de entrada em novos mercados, difusão e transferência de tecnologia, acesso a canais de distribuição, partilha de riscos, redução de custos na produção e desenvolvimento de produtos e serviços, ultrapassagem de barreiras legais, etc.
As microempresas e empresas de pequeno porte são as que mais sofrem desafios na busca de vantagens competitivas frente aos seus escassos recursos combinados. O ponto de partida para o crescimento dessas empresas está no emprego de um processo de clusterização, bem como na formação de arranjos produtivos locais. Nesse contexto, contribuem para a geração de empregos, razão pela qual são merecedoras de cuidados por parte dos órgãos governamentais de fomento ao desenvolvimento econômico e social.

 

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