Coluna CULTURA DA PAZ E OUTRAS COISAS MAIS – por Betina Costa

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Vamos começar do começo, por onde eu despertei o interesse pela advocacia sistêmica. Até porque a proposta desta advocacia é, inicialmente, olhar para nós mesmos, como humano que somos e compreendemos nossas histórias, pensamentos, palavras, emoções e relacionamentos.

Após o nascimento do terceiro filho, buscando respostas a muitas insatisfações, principalmente profissionais, fui à procura de respostas através de cursos de autoconhecimento. Foi quando descobri a PNL, Programação Neurolinguística.

A PNL se dedica a desbravar a mente humana, como construímos significados, de que forma percebemos o mundo que nos circunda, que interpretações fazemos das experiências que vivemos, como nos comunicamos, como nossos sentimentos impactam no pensamento. Ou seja, como tudo acontece do lado de dentro de nós mesmos. Você já parou para se perguntar?

Assim, nesta caminhada fui aprendendo e praticando várias técnicas voltadas à compreensão acerca de quem somos e como nos relacionamos, implementando pequenas e lentas mudanças. Ficava muito ansiosa, irritada, em conflito comigo mesma, por não ver os resultados, ainda fico, mas hoje já sei perceber, escutar a mim e ao outro e tomar decisões com mais discernimento.

No início, eu não via muito progresso, por isso mesmo ficava insegura. Os primeiros passos são os mais difíceis, arrumamos as mais variadas desculpas, não sabemos nem para onde ir, porque então sair do lugar. Pensamos: “aqui está ruim, mas pode piorar”. Realmente, quando não nos conhecemos o suficiente, não é possível tomar decisões sábias de mudança.

Esses processos de mudança não são simples, eu pensei que nunca fosse sair do lugar. Isso acontece com muitos, porque não aprendemos a comemorar pequenas conquistas, e entramos numa ilusão de que se pensar positivo tudo já será diferente. Não é simples assim, não é através da oração sem ação que o milagre acontece, não é o saber sem fazer que as mudanças se tornam reais. É preciso saber, esse é o primeiro passo.

Eu não sabia o que realmente me incomodava. Era o outro? Era eu mesma? O trabalho? o que está faltando? O que me fazia ficar tão irritada? O que eu gosto de fazer? Onde quero estar daqui 1 ano, ou mais? Por que tomo decisões que não me agradam? Por que o outro não muda? Como posso ser tão ingrata por ter tanto, e sentir este vazio? Foram infinitos questionamentos, que podem não estar resolvidos hoje, mas já acalmam minha mente.

Mas é preciso fazer algo com essas respostas. Não se culpar, não devemos entrar neste loop da culpa, mas se autorresponsabilizar e agir diferente. Os pensamentos só tomam força através de nossas ações. Devemos policiar nossos pensamentos, mas colocar em movimento também, muitas vezes arriscando, ousando fazer desajeitado, porque somente aos poucos adquirimos o melhor jeito, não o perfeito, mas o bem feito. A PNL me auxiliou neste processo de descobertas e a traçar um caminho com metas e objetivos alinhados aos meus valores pessoais, através de ferramentas estruturadas.

Bem, eu avisei que não trataria apenas de questões jurídicas sob a perspectiva sistêmica. Aqui vai um dos meus devaneios, só que bem justificado pelo próprio propósito de uma atuação humanizada no Direito. O começo da cultura da paz se dá sempre através do nosso olhar para nós mesmos.

Betina Costa

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