COLUNA “CULTURA DA PAZ E OUTRAS COISAS MAIS” – Reconexão com nossa essência humana – por Betina Costa

85

Estamos vivenciando um momento histórico de crises ambientais, econômicas e sociais a níveis global e local. O futuro nunca ficou tão incerto com a instabilidade econômica e complexo com o acelerado avanço tecnológico. Por isso, tem horas que nos aferramos ao passado, como se fosse uma garantia de imutabilidade. Mas a realidade se mostra em constante e acelerada transformação, chamando-nos a lidar com ela.

Como resultado, cada vez mais nos deparamos com o tempo escasso, a conexão tecnológica e a desconexão com nossa essência humana. Vivemos no mecanicismo e automatismo, frutos da era industrial que crescemos ou que nossos ascendentes cresceram. Acordamos, tomamos café, vamos ao trabalho, almoçamos, retomamos nossas atividades profissionais, voltamos para casa, ligamos a TV, atualizamos nossas redes sociais. 

Sentimos um vazio. Por que fazemos o que fazemos? E o sentido da vida? Qual o propósito de ganhar dinheiro? Qual a intenção em realizar um mestrado? Por que a insatisfação com um emprego estável? Por que investir em uma empresa? Como saber se estou fazendo um investimento promissor, seja na carreira, seja na família? O que? Por que? Muitas perguntas, mas não ousamos sinceramente ouvir as respostas do nosso sentir. 

Essa realidade vem se estruturando com cada vez menos respostas certas e mais perguntas. Talvez seja esse mesmo um desenrolar da história necessário para nossa evolução como seres humanos. E aí eu cito uma frase retirada do livro Gestão do Amanhã: “É chegada a hora da mudança. É o momento definitivo da busca por novas referências para lidar com um novo mundo.”

Essa nova forma de pensar o mundo está em construção e tem uma natureza disruptiva, em várias áreas do saber, nos negócios, na tecnologia, nas ciências da vida, física, biologia e psicologia. 

Para esse novo olhar, as perguntas são fundamentais, sem nos preocuparmos em ter respostas certas, prontas. Por que não buscar respostas objetivas, ou experiências já vividas? Porque, simplesmente, a realidade não é objetiva, ou seja, a realidade não é igual para todos, mas depende de como cada um percebe, sente, olha, vive, pensa… Então, não há respostas certas iguais para mim, e para você, leitor. O que é bom para mim não serve, necessariamente, para você. Por isso, o ditado de que “se conselho fosse bom, não se dava, vendia”. 

 Mas há muitas perguntas certas, as que nos auxiliam a sair da zona de conforto, do aprisionamento de nossas crenças limitantes, e nos impulsionam a ousar fazer diferente. 

A alguns anos atrás, eu me permiti fazer perguntas e olhar para essas insatisfações e ousei seguir atrás das minhas respostas, com ajuda profissional de psicóloga, e através de muita PNL – programação neurolinguística. “Como posso melhorar?” é meu lema hoje.

O processo de mudança não é fácil, mas podemos tentar a partir de alguns passos: autoconhecimento (tomar consciência); reconhecimento de si mesmo (dos pensamentos, crenças, emoções, padrões); aceitação desse todo (dizer sim a tudo o que já aconteceu); acolhimento de si mesmo tal como é (com amorosidade, sem intenção de mudar ou esconder nada) e assunção de responsabilidade por tudo o que ocorre consigo mesmo a partir de agora.

O pensar sistêmico nos auxilia também neste caminhar, pois entende que para estarmos bem fora, e auxiliarmos os outros em nosso lar, ou no nosso trabalho, precisamos estar bem conosco. 

Alerto apenas para uma coisa: cheguei a dar mais passos ousados e olhar para feridas, estou curada, estou perfeita? Ainda não! Ainda bem que não! Estamos todos em evolução, e ainda vou errar muito. Sou humana! Estou reaprendendo a me conectar com minha essência humana.

Deixe o seu comentário