Coluna da Paz e outras coisas mais – ATENDIMENTO HUMANIZADO NA ADVOCACIA – por Betina Costa

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Em muitos conflitos de ordem jurídica, o advogado percebe que o cliente traz emoções do conflito, que impedem ou atrapalham a tomada de decisões acerca do processo. Assim, o cliente não está presente para tomar decisões, não possui discernimento e necessita do “aconselhamento” profissional.

O atendimento humanizado na advocacia propõe a compreensão de todos os aspectos que envolvem o conflito, que inclui padrões familiares, dinâmicas de comportamento inconscientes, que alimentam a conflito. Assim, o atendimento sistêmica tem a finalidade de a olhar para as emoções e causas ocultas que ele traz na narrativa do cliente, utilizando o pensamento sistêmico como base e competências relacionais como ferramentas.

Nesta atuação, o advogado exerce o papel de facilitador, não de constelador, para que o cliente possa olhar para o conflito de forma diferente, com profundidade. Para isso, faz-se perguntas para compreensão do contexto e das relações, mas sem fins terapêuticos, pois abordam questões intrínsecas ao cliente, experiências e aprendizados de sua vida. São utilizadas técnicas de Programação Neurolinguística, Neuro semântica, de Negociação e mediação.  Além disso, é possível se valer de ferramentas, tais como, bonecos e âncoras, que seriam cartas com frases e palavras para gerar reflexões acerca do seu comportamento. 

Por que utilizar outras ferramentas para a compreensão do conflito no exercício da advocacia? Para que o cliente possa sair do plano mental, ou seja, das ideias iniciais que possui acerca do problema, para entrar com os sentidos (principalmente a visão) de como perceber o conflito. Trata-se de uma visualização sistêmica, em que se percebe as relações entre as partes, o contexto, a postura das partes e como se desenha o conflito que está apenas na cabeça do cliente.

A partir desse movimento, o cliente pode compreender quais as emoções que estão presentes no conflito, e correlacionar a alguma questão do passado que esteja atrapalhando o diálogo com a outra parte. Muitas vezes, a tomada de consciência acerca dessas questões diminui a tensão entre as partes, oportunizando o diálogo e abrindo espaço a reconciliação.

Esta reconciliação não significa o restabelecimento da relação como antes, mas a restauração da comunicação entre as partes para que, juntos, possam tomar a decisão mais adequada a ambos. Se a outra parte não quiser a mediação, o essencial é o acompanhamento do seu cliente, que, agora, estará mais centrado e com autorresponsabilidade para decidir a melhor estratégia jurídica ao seu conflito. 

Nesse processo de facilitação, o advogado acompanha o cliente para que ele construa uma compreensão de toda a dinâmica conflituosa, e, mais centrado no aqui e agora, mais liberado das emoções, possa tomar as decisões mais adequadas à resolução do seu conflito. por sua vez, no papel de consultor jurídico, o advogado, então, irá orientar seu cliente sobre as possibilidades jurídicas de solução, as estratégias jurídicas, com base na decisão tomada. 

É preciso alertar, apenas, que, neste papel de facilitador, não pretende o advogado ser terapeuta, não deve intencionar tratar seu cliente ou ser conselheiro. Caso o cliente traga uma dor de profundo cunho psicológico, deve o causídico indicar o acompanhamento por psicólogo de confiança do cliente, para melhor lidar com os aspectos de dor relativos ao conflito, pois somente este profissional possui a habilitação técnica-profissional para auxiliá-lo adequadamente. 

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