Gestão estratégica de custos na crise – por Marielle Baia

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Reduzir custos é o primeiro pensamento dos empresários em tempos de crise. Mas você já parou para pensar que na crise você faz uma gestão estratégica na empresa como nunca tinha feito antes? Um empresário certa vez chegou para mim e disse: “Quem nunca soube economizar, com essa crise aprende. Esse é o lado bom da crise, aprendemos a cortar alguns custos desnecessários na empresa”. Mas essa não é a melhor que você deveria escolher aprender.

Existem duas formas de reduzir custos nas empresas: de forma espontânea e de forma compulsória. A espontânea é aquela que acompanha a rotina natural da empresa, onde tem a redução de custos como parte de sua cultura organizacional, mesmo que sem sinal de crise. Em sua rotina, visa vantagem competitiva e é sempre preventiva. Já a redução de custos compulsória é o contrário da espontânea, pois ela acontece diante de uma necessidade extrema, assim como a chegada de uma crise financeira. Seu objetivo é sobreviver ao momento atual e para isso, baseia-se no corte de custos em geral. Porém, no momento da decisão dos cortes para sobrevivência, pode-se atingir alguma área vital da empresa e refletir receita financeira da mesma.

Sabemos que os custos jamais podem ser esquecidos em uma empresa, mesmo que sua estratégia seja de diferenciação.   A competitividade em custos é um dos grandes desafios estratégicos para qualquer empresa. Mas como superar esse desafio, principalmente quando a empresa nunca experimentou essa experiência? Nunca é tarde para começar e é necessário aprender a reduzir custos nem que seja com a crise. Veja algumas dicas:

  1. Otimização dos processos na empresa: reconhecer realmente a necessidade e a melhor forma de fazer através da melhoria do processo. Normalmente você encontra possibilidade de melhorar o processo e ainda reduzir o custo, inclusive com o aumento da produtividade dos recursos humanos através da organização dos processos;

  2. Avaliação do custo-benefício: é necessário avaliar o custo e o resultado que ele vai dar na empresa, no determinado tempo e necessidade da empresa. Se precisar de um equipamento, é necessário avaliar a melhor opção: se a compra ou aluguel, por exemplo. Comprar algo pelo preço, mas sem durabilidade, pode custar mais caro que comprar o bom produto, mesmo que mais caro;

  3. Ter dados e informações coerentes sobre custos: formatar um padrão de dados e informações que possam dar suporte na gestão do negócio. Relatórios de custos por área, plano de contas, resultado mensurado e tratado com atitude;

  4. Crer que todo custo é redutível: acreditar que sempre pode fazer mais é uma forte ferramenta de geradora de atitude e motivação para mudança. Quando você acha que o custo já está no limite, você para de olhar as possibilidades de redução;

  5. Levantar sugestões dos colaboradores: envolver os colaboradores na meta dos melhores resultados é comprometê-los com ela. Essa é uma excelente opção e produz os melhores resultados. Pode ser implantado com premiação baseada na redução;

  6. Renegociação de contratos: muitas vezes você tem contratos antigos e que não rever de tempo a tempo. Um exemplo muito comum é telefonia, que a cada ano vem diminuindo o custo e os contratos antigos permanecendo. Nestes, temos alto poder de barganha com grande possibilidade de redução;

  7. Redução de despesas financeiras: são muitas as tarifas que podem ser diminuídas, portabilizadas ou até mesmo canceladas;

  8. Análise contábil e estratégica para diminuição de custos: um deles comum é a mudança no regime de tributação e o outro é o melhor assessoria/entendimento do gestor da empresa sobre o assunto. Um exemplo comum é uma empresa tributada no lucro presumido que sofre uma queda considerável em sua rentabilidade. A troca para lucro real já pode diminuir a incidência de impostos;

  9. Comprar bem: saber pesquisar e prezar pelo bom negócio na compra, o que dará possibilidade de melhor negociação e competitividade no mercado;

  10. Evitar/eliminar desperdícios: essa é a medida de redução de custos mais desafiadora, porém a mais efetiva quando bem administrada. Mais desafiadora porque depende das pessoas em geral, as quais não são preparadas em sua maioria para evitar desperdícios e precisam ser orientadas e acompanhadas nesse processo. Porém, quando bem administradas promovem benefícios contínuos e que passam a fazer parte da cultura organizacional.

É importante ressaltar que todo projeto de redução de custo é comportamental e que precisa de determinação e esforço para o alcance das metas. Aproveite as oportunidades que o momento está dando e invista no seu maior patrimônio: você e seus colaboradores! Estes são os maiores responsáveis pelo resultado do seu negócio.

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