O que é a verdade? – Convivendo com diferentes opiniões – por Betina Costa

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Como criamos dentro de nós o que vemos, ouvimos e sentimos? Como interpretamos os eventos, a nossa realidade? Como construímos os significados? Todos pensamos igual, vemos igual, reagimos igual? Por que cada pessoa interpreta simples palavras de formas tão diferentes?

Não sou psicóloga, tampouco médica, mas tenho estudado um pouco sobre como vemos o mundo, como nossa mente capta a realidade e vai tecendo uma teia única e individual de interpretações e significados. 

Segundo um pressuposto da PNL – Programação Neuro Linguística, “o mapa não é o território”, nós, seres humanos desenvolvemos uma forma única de interpretar a realidade, captada através dos cinco sentidos, visão, olfato, audição, paladar e tato. O indivíduo cria uma representação interna, um modelo (mapa) deste mundo real (território), a partir das interpretações dos inúmeros acontecimentos de suas vidas. 

Assim, cada um de nós tem sua própria visão do mundo, por ser percebido através de nossas lentes (não só os olhos, mas todos os sentidos). Em nossa mente, criamos significados daquilo que percebemos, interpretando tudo conforme nossas crenças, padrões familiares, experiências, limitações.

Temos filtros de percepções diferenciados até entre irmãos criados juntos, gêmeos univitelinos. Os filtros agem como uma peneira, que seleciona, inconscientemente, os dados da realidade captada através dos sentidos, sendo que a maioria dos dados dessa realidade não é sequer percebida.

Por exemplo, duas pessoas, lado a lado, presenciam uma batida de carro. Terão percepções completamente distintas, apesar de terem testemunhado um mesmo evento simultaneamente. Imagine quanto à aprendizagem, à construção de um conhecimento. Numa aula, cada aluno capta a informação de forma completamente individual e particularizada, construindo uma rede de conhecimentos diferentes, correlacionando com dados preexistentes, memórias, experiências. Por mais objetivo que seja o assunto, a construção de significados será diferenciada, e muitas vezes até divergente, discordante, daí surgem dúvidas e questionamentos.

Mas não nos permitimos muito questionar as doutrinas postas. Será que a divergência é tão maléfica? O que quer mostrar o pensamento diferente do tradicional? O que é realmente verdade? Como o mundo pode se tornar dinâmico e evoluir se apenas uma forma de pensar é a correta? Se acharmos que há uma só resposta, um só pensamento, uma só forma de fazer, como evoluímos? 

O crescimento se dá com a integração e interação do bom e do mau, do certo e do errado, precisando de luz para um melhor discernimento e um equilíbrio constante. Aceitação, acolhimento, pertencimento, mesmo que discordando, são bases para a construção de uma coexistência entre os diferentes. E aqui não me refiro a caracteres externos tão visíveis, mas a ideias, ideais, jeitos de ser e fazer. É preciso olhar para essas diferenças subjetivas, e ter o mesmo papel integrativo de respeito.

O conflito existe exatamente quando as percepções diferentes causam separação, numa ideia de contraposição, de superioridade de uns em detrimento dos outros, de imposição de uma só verdade. A alternativa é corrigir esta separação, através do diálogo, do respeito.

Não é preciso concordar, mas acolher a opinião diferente. Não é preciso estar junto, mas dialogar com o diferente. A reconciliação não é sobre juntar tudo numa mesma convivência, mas acolher o contexto do outro, sem julgamentos, numa convivência pacífica, dialógica, equilibrada. 

Se quisermos construir algo novo é preciso questionar COM RESPEITO, tentar de forma diferente COM RESPONSABILIDADE, e considerando o contexto de cada pessoa ou sistema. Porque o que é bom para mim pode não ser bom para você, e vice-versa. A vida é dinâmica, o conhecimento é dinâmico, o saber é dinâmico, a cultura é dinâmica, o humano não para de evoluir, através dos questionamentos, dos erros, das tentativas, dos ajustes. 

Talvez o que eu tenha escrito não faça qualquer sentido para você. Tudo bem assim. Talvez eu esteja embasada em estudos “errados”. O que posso dizer? “Só sei que nada sei”, repetindo a famosa frase do filósofo grego Sócrates, vou tentando com o que sei, vi, aprendi, construí de contexto até aqui, ousando errar para um dia, quem sabe, acertar.

 

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