Antioxidantes e o Câncer, o que você precisa saber! – por Adrianne Holanda

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01De acordo com o INCA, 80% dos casos de câncer estão relacionados aos fatores ambientais. No Brasil, observa-se que os tipos de cânceres que se relacionam aos hábitos alimentares estão entre as seis primeiras causas de mortalidade por câncer. 

       O consumo de alimentos in natura é cada vez menor e vem sendo substituído pelos processados e ultraprocessados (IBGE, 2011), evidenciando maior consumo de alimentos muito calóricos, ricos em gorduras, nitritos e nitratos e preservados com sal (fatores de risco), além de um baixo consumo de alimentos como frutas, vegetais e cereais (fatores de proteção), configurando uma dieta de risco. 

     Dessa forma, os antioxidantes têm sido estudados tanto para prevenção quanto para tratamento do câncer. Isso se dá primeiro pela possibilidade de serem agentes anticancerígenos potenciais e segundo por reduzirem o dano oxidativo da quimioterapia e da radioterapia e, portanto, a toxicidade limitante da dose. 

      Os efeitos anticancerígenos potenciais dos antioxidantes incluem redução de dano oxidativo a lipídios e proteínas do DNA; redução da proliferação e da angiogênese; e aumento da apoptose (morte celular) e, portanto, possível redução de iniciação, promoção, progressão e metástase de câncer (HARVIE, 2014).

      E o que vem a ser antioxidantes?

     São substâncias capazes de atrasar ou inibir a oxidação de um substrato oxidável. Seu papel é proteger as células sadias do organismo contra a ação oxidante dos radicais livres. Esses, quando em excesso, passam a atacar células sadias, como proteínas, lipídios e DNA, causando envelhecimento precoce e algumas doenças, como o câncer.

     Uma característica importante dos antioxidantes é que eles agem nas três linhas de defesa orgânicas contra os radicais livres. A primeira é a de prevenção, que se caracteriza pela proteção contra a formação de substâncias agressoras; a segunda é a de interceptação dos radicais livres; e a última é a de reparo, que ocorre quando a prevenção e a interceptação não foram completamente efetivas e os produtos da destruição dos radicais livres estão sendo continuamente formados em baixas quantidades, podendo se acumular no organismo (COSTA; MONTEIRO, 2009; SAMPAIO; ALMEIDA, 2009). 

     Entre os antioxidantes que têm recebido maior atenção por sua ação benéfica ao organismo, estão os carotenoides, as vitaminas C e E, o selênio, os flavonoides e o  licopeno, que aparece como um dos mais potentes, sugerido na prevenção da carcinogênese e da aterogênese, por proteger moléculas como lipídios, LDL, proteínas e DNA.   

 

       As principais fontes de carotenoides são vegetais e frutas, sendo específicos para cada fonte como: mamão, cenoura e abóbora para o alfacaroteno e betacaroteno; suco de laranja para a betacriptoxantina; tomates e seus produtos, mamão, pitanga e goiaba para o licopeno; e espinafre e couve para a luteína e zeaxantina (WAITZBERG et al., 2006). 

       Entre os fitoquímicos com ação antioxidante presente nas frutas, estão os polifenóis, cujas ações fisiológicas estão relacionadas à prevenção do câncer, principalmente em função da elevada capacidade antioxidante. Os principais grupos são os ácidos fenólicos, tendo como exemplos: o ácido clorogênico, presente no café; os estilbenos, como o resveratrol, presente nas uvas e no vinho; as cumarinas, como as furanocumarinas do aipo; as ligninas, como as lignanas da linhaça; e os flavonoides, como frutas, hortaliças, chás, cacau e soja. 

       Entretanto, alguns compostos específicos estão em maiores concentrações em determinados alimentos, como a quercetina na cebola, a miricetina no brócolis, as antocianinas em frutas de coloração vermelho-arroxeada, tais como cereja, morango e uvas, e as flavononas em frutas cítricas, como laranja e tangerina (FALLER; FIALHO, 2008; MELO et al., 2008). 

        E o que mais você precisa saber sobre os antioxidantes? Será que podemos suplementar aleatoriamente e por conta própria? 

      Vale destacar que essas investigações epidemiológicas e experimentais têm apontado a relação benéfica, principalmente, entre a ingestão de quantidades fisiológicas de antioxidantes, isso é, de acordo com as recomendações dadas pela DRI, por meio do consumo de frutas e vegetais (CAMPOS et al., 2010); visto que resultados de estudos relacionados à suplementação com cápsulas em altas doses de antioxidantes são contraditórios e evidenciaram a ausência de benefícios e até mesmo prejuízo sobre o desenvolvimento do câncer (INCA, 2007; WAITZBERG et al., 2006b).

     Ensaios recentemente resumidos, têm resultados principalmente negativos, com alguns efeitos nocivos notáveis. A suplementação com betacaroteno pode aumentar o risco de câncer de pulmão e câncer do estômago, porém, não foram analisadas doses recomendadas segundo as DRI, mas sim o uso suplementado (DOLARA; BIGAGLI; COLLINS, 2012). 

      Uma metanálise demonstrou que o uso excessivo de suplementos antioxidantes, principalmente doses elevadas de betacaroteno, vitamina E e vitamina A, aumenta a mortalidade por todas as causas em indivíduos saudáveis e com doenças crônicas. Portanto, não se recomenda o uso de suplementação de antioxidantes como medida de prevenção primária (BJELAKOVIC et al., 2013).

      Os antioxidantes estão contraindicados em doses acima das recomendadas pela DRI, visto que alguns podem se transformar em pró-oxidantes, favorecendo o estresse oxidativo e promovendo, ou até mesmo estimulando a carcinogênese (ASGARI et al., 2009). Os mesmos podem ter efeitos antineoplásicos ou neoplásicos entre os pacientes com câncer (HARVIE, 2014). 

      Então, o que fica bem claro para nós, profissionais e ou pacientes, que diante dos estudos e da metanálise demonstrada, é que todos os pacientes oncológicos se beneficiam com uma alimentação saudável, composta de vegetais não amiláceos e frutas, fontes de antioxidantes. 

      Porém, salvo alguns casos, existe contraindicação do uso de suplementos nutricionais com antioxidantes pelo paciente oncológico, além de doses de antioxidantes acima das recomendadas pela DRI, sobretudo em fumantes e/ou alcoolistas em quimioterapia ou radioterapia.

       Nunca suplemente por conta própria. Isso serve para pessoas saudáveis ou em tratamento. Consulte sempre seu nutricionista, ele avaliará sua individualidade de forma adequada. 

       Através da alimentação, você conseguirá doses diárias de antioxidantes. A melhor “suplementação”, na maioria dos casos, sempre será a comida de verdade, além de  frutas e verduras, in natura, de preferência orgânicas.

        Até a próxima!

Adrianne Holanda

Graduada em Ciências Contábeis; Graduada em Nutrição; Pós Graduanda em Nutrição Clínica, Estética e Funcional; Pós graduanda em Nutrição Oncológica.

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