Dicas de nutrição para pacientes em tratamento do câncer – por Adrianne Holanda

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O tratamento do câncer pode provocar efeitos colaterais que interferem  na alimentação do paciente. Em alguns casos, como por exemplo, o tumor e o tratamento fazem o metabolismo da pessoa gastar mais energia e, ao mesmo tempo, perder o apetite, o que pode provocar desnutrição. Já em outros casos, o paciente não perde peso e surge retenção hídrica, devido aos corticóides contidos nos fármacos, o que causa sensação de inchaço no corpo e ganho de peso.

Junto a essas particularidades e dificuldades, o tratamento quimioterápico pode causar inúmeros desconfortos como náuseas, diarréia ou constipação,  falta ou excesso de salivação, fraqueza, alteração no paladar e dificuldade de mastigar e digerir os nutrientes. À fim de amenizar esses efeitos, os cuidados na escolha dos alimentos e na forma de realizar as refeições devem ser redobrados.

Uma das primeiras mudanças que o paciente em tratamento do câncer nota é a modificação do paladar. Para deixar o paladar mais aguçado, procure enxaguar a boca com água ou chá de camomila antes das refeições. Se não existirem feridas na boca, balas azedas ou ácidas e alimentos ácidos também realçam o paladar, assim como manjericão, orégano, hortelã e outros temperos naturais.

Já para aliviar o gosto metálico, substitua os talheres de metal por aqueles de plástico.

Como a doença eleva o consumo de energia pelo corpo, a alimentação precisa ser mais reforçada e o uso de suplementos (desde que recomendados por um médico ou nutricionista) pode fazer a diferença. Costumamos indicar suplementação quando há desnutrição ou algum risco nutricional. A desnutrição acontece quando o paciente está perdendo muito peso e massa magra, em alguns tipos e estágios do câncer.

A recomendação de comer pouco várias vezes ao dia é muito importante para pacientes com câncer. Fracionar as refeições e comer devagar, mastigando bem os alimentos, ajuda tanto a diminuir as náuseas quanto melhorar o apetite.

 Alimentos muito quentes devem ser evitados, já que eles aumentam a sensação de náuseas. Porém alimentos gelados e cítricos são excelentes no quesito enjôoo/ náuseas, bem como “sorvetes saudáveis”, gengibre, sucos refrescantes, entre outros.

Uma boca limpinha pode até mesmo melhorar a náusea. Além disso, a higiene bucal ajuda a evitar o aumento de bactérias na boca, que fica menos protegida devido à diminuição da salivação provocada pelo tratamento. A saliva tem função bactericida sobre determinados grupos de micro-organismos, por isso é recomendado escovar bem os dentes e fazer bochechos com substâncias bactericidas.

A diarreia durante o tratamento pode acontecer por diversas causas – intoxicação medicamentosa, desnutrição, morte das células do intestino, infecção intestinal e até falta de uma proteína chamada albumina no sangue. Indicamos comer fibras solúveis, presentes em frutas como maçã, pêra, banana maçã e goiaba sem casca, já que elas estimulam a produção de células intestinais e melhoram a imunidade do intestino.

Outra medida muito importante para vencer a diarreia, é a hidratação. O paciente deve tomar chás, sucos coados sem açúcar e bastante água.

 Evitem alimentos gordurosos, leite e derivados, carboidratos refinados, açúcares, fibras insolúveis (presentes em grãos integrais, cascas, sementes e cereais) e outros alimentos que possam soltar o intesti

no, caso o paciente tenha diarréia.

Já em outros casos o paciente possui constipação e as orientações mudam. Eis a importância do acompanhamento nutricional individualizado.

Evite alimentos crus.

Dependendo do estado imunológico do paciente, alimentos crus podem ser perigosos, já que costumam apresentar alta concentração de bactérias.  Podemos recomendar desde evitar comer a casca das frutas ou, em fases mais avançadas, procurar ingerir somente frutas e verduras cozidas. Lembrando sempre da higienização obrigatória dos vegetais com hipoclorito de sódio.

Pacientes oncológicos deverão sempre priorizar suas consultas ao nutricionista, que serão feitas de forma individualizada, resultando num fator determinante para a prevenção, restabelecimento e cura.

Até a próxima!

Adrianne Holanda

Graduada em Ciências Contábeis; Graduada em Nutrição; Pós Graduanda em Nutrição Clínica, Estética e Funcional; Pós graduanda em Nutrição Oncológica.

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