Dieta Mediterrânea – Por que ela foi considerada a melhor de todas e o que ela tem a oferecer?  – por Adrianne Holanda

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Atualmente, as doenças crônicas não transmissíveis são as maiores causas de mortes no mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, estas doenças são responsáveis por 60% das mortes mundiais, com maior destaque para as doenças cardiovasculares.

Além da obesidade, outros fatores de riscos estão envolvidos com o desenvolvimento alarmante das doenças cardiovasculares, como diabetes mellitus tipo 2, síndrome metabólica, hipertensão arterial e dislipidemias. Estas complicações são resultados da falta de atividade física, tabagismo e dieta de má qualidade (Giugliano D, 2009).

O hábito alimentar característico desta população que se alimenta com dieta de má qualidade é rica em alimentos industrializados, gorduras saturadas e carboidratos simples, com baixo consumo de fibras, o que caracteriza a dieta ocidental. Essa dieta desbalanceada associada ao sedentarismo tem sido uma das dez maiores causas de mortalidade no mundo ( WHO global report, 2015 ).

  

Diante dessas evidências, surge a Dieta Mediterrânea ou Mediterrânica ou ainda, Dieta do Mediterrâneo ( DM ), que tem sido muito estudada, visto que traz benefícios à saúde, prevenindo doenças e promovendo a longevidade ( Esposito K, 2011).

A Dieta Mediterrânica foi considerada, em 2013, Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO (Unesco, 2017). Representa características alimentares comuns, é marcada por influências socioculturais, históricas e geográficas dos países banhados pelo Mar Mediterrânico ou que por ele são influenciados, como é o caso de Portugal ( Hernández Ruiz A, 2015) . É considerado um dos padrões alimentares mais saudáveis porque apresenta variedade e equilíbrio nutricionais.

Não existe uma definição para a DM, já que, cada país personaliza esta dieta tendo em conta a sua cultura e os alimentos disponíveis, mas todos eles têm uma base em comum, caracterizada por:

  1. Consumo elevado de alimentos de origem vegetal como os cereais pouco refinados, produtos hortícolas, frutas, leguminosas secas e frescas e frutos secos e oleaginosos;

  2. Consumo frequente de pescado, principalmente nas zonas próximas da costa, em detrimento das carnes vermelhas;

  3. Uso do azeite de oliva como gordura principal para cozinhar ou temperar alimentos;

  4. Consumo baixo a moderado de lacticínios semi-desnatados ou desnatados;

  5. Consumo de água como bebida de eleição e baixo consumo de vinho tinto seco ao acompanhar as refeições principais;

  6. Realização de técnicas culinárias simples, refeições em família ou entre amigos, promovendo o convívio entre pessoas à mesa e com a prática regular de atividade física;

  7. Valorização da sustentabilidade alimentar ( Dernini S, 2015 ),  já que os produtos são preferencialmente frescos, locais, pouco ou nada processados, respeitando sempre a sua sazonalidade .

Como podemos perceber, na dieta mediterrânea predomina-se o alto consumo de alimentos ricos em vitaminas (C, E, B6, B12, carotenóides), minerais (magnésio, ferro, zinco, selênio, manganês, potássio, fósforo), ácidos graxos essenciais (poli-insaturados (n-3 e n-6) e monoinsaturados (n-9)), fibras, componentes polifenólicos e flavonóides, tendo efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios, reduzindo os riscos cardiovasculares, visto que a maioria das doenças crônicas não transmissíveis são causadas pelos marcadores pró-inflamatórios (Zeisel SH).

Sendo assim, a combinação dos nutrientes da dieta consumida pelos habitantes dos países do mediterrâneo é o que representa efeito benéfico nas doenças cardiovasculares. Logo, a dieta mediterrânica pode ser utilizada como estratégia de prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares e de seus fatores de risco, como a hipertensão arterial, o diabetes mellitus tipo 2 e dislipidemias (J Nutr Biochem. 2013).

Além dessas evidências, um estudo recente publicado pela Academia Americana de Neurologia ( Abril /2018 ) trouxe evidências científicas que comprovam também os benefícios da dieta ao cérebro, podendo retardar o seu envelhecimento  e proporcionar longevidade. Resumindo, no estudo, o cérebro dos adeptos da dieta mediterrânea foi considerado 5 anos mais jovem e saudável em relação aos outros que não seguiam a mesma dieta.

Algumas substâncias que estão presentes nos alimentos da DM, como Ômega 3 e licopeno, favorecem a cognição. E são muito importantes para o aprendizado. Essas substâncias estão presentes nas frutas, verduras, legumes, peixe, ovos, azeite de oliva, etc.

Por fim, a Dieta Mediterrânea é muito mais do que uma dieta: representa um estilo de vida ( Real H, 2014 ) e é considerada a Dieta da Longevidade, concisa e coerente, pois possui toda a classe de micro e macronutrientes balanceados de forma adequada,  sem restrições drásticas, tornando-se, assim, sustentável, saudável e prazerosa.

Adrianne Holanda

Graduada em Ciências Contábeis; Graduada em Nutrição; Pós Graduanda em Nutrição Clínica, Estética e Funcional; Pós graduanda em Nutrição Oncológica.

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