ESTRIDOR (GUINCHO) – por Érica Chaves

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O estridor é um ruído audível durante a respiração da criança que está com dificuldade respiratória. É o “guincho” da linguagem popular. Pode ter causa congênita, infecciosa, tumoral ou ainda ser provocada pela aspiração de algum corpo estranho. A frequência das causas varia de acordo com a idade da criança. Em todos os casos, o mais importante é a avaliação pelo pediatra ou otorrinolaringologista.

Geralmente, os casos mais graves e agudos são acompanhados por sinais de obstrução respiratória. Eles são as retrações entre as costelas, e/ou abaixo do pescoço e/ou no abdômen da criança, além do batimento da asa do nariz e a cianose (lábios e extremidades roxas). Nos casos crônicos, as crianças geralmente têm o crescimento de peso e altura comprometidos e podem também apresentar alguns problemas cardíacos e de deformidade do tórax.

Entre as causas congênitas, a laringomalácia é a mais comum. A criança desenvolve já na primeira semana de vida o ruído respiratório, quando puxa o ar (inspiração). Na maior parte dos casos, o problema se cura espontaneamente no final do primeiro ano, não exigindo cirurgia. Nos casos com sinais de obstrução respiratória (aguda ou crônica) pode ser necessário cirurgia. Há uma associação importante com o refluxo gastroesofágico, que é a volta do líquido do estômago para a garganta.

Os casos infecciosos são representados pelas laringotraqueítes (conhecidas como “crupe”) em que ocorre o estridor (tosse rouca e a falta de ar com esforço respiratório). A causa é viral e geralmente inicia a partir dos seis meses de idade. Pode ser precipitada por refluxo gastroesofágico, alergia ou, em casos raros, por malformação de estreitamento da laringe. Algumas vezes é necessário levar a criança para a Emergência para receber oxigênio e o tratamento apropriado, que inclui nebulização e uso de medicações na veia.

Entre as causas tumorais, o mais frequente é o papiloma de laringe (verrugas na laringe que crescem e entopem o tubo respiratório). Ocorre devido à contaminação da via aérea da criança com secreções do canal vaginal da mãe contendo o vírus papiloma humano. O sintoma inicial é rouquidão, mas pode evoluir rapidamente para falta de ar extrema. O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico.

A aspiração de corpos estranhos deve ser sempre pensada quando uma criança inicia com sofrimento respiratório repentino, sem outra causa aparente. Deve-se afastar objetos e brinquedos que soltem pequenas peças que possam ser aspiradas. O maior perigo são as pequenas baterias presentes em brinquedos eletrônicos, que, quando aspiradas ou engolidas e não percebidas, podem trazer problemas permanentes para as crianças afetadas.

FONTE: SBP- Sociedade Brasileira de Pediatria- Pediatria para Famílias

Érica Chaves

Pediatra, Pós-graduação em Nutrologia.

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