LEISHMANIOSE – PARTE II TEM CURA? – por Diana Sousa

100

Esse tema é bastante polêmico e é motivo de muitas dúvidas para os proprietários que tem algum bichinho positivo para doença, já que até aproximadamente 8 anos o governo brasileiro não aceitava a realização do tratamento, onde umas das justificativas era que os mesmos serviriam de fonte de infecção contribuindo assim a disseminação da doença.

Depois de muitas brigas na justiça essa proibição foi “caindo por terra” e se concretizou após a chegada ao Brasil de um medicamento veterinário com ação leishmanicida, ou seja, ação de provocar morte ao parasita que causa a doença, indicado para realização do tratamento da leishmaniose (calazar) em cães.

SENDO ASSIM ELE PROMOVE A CURA??

NENHUM MEDICAMENTO disponível hoje no mercado promove a cura total. O tratamento visa a CURA CLÍNICA, ou seja, o controle da doença, com remissão dos sintomas e fazendo com que aquele animal deixe de ser fonte de infecção para outros animais e para o ser humano.

O tratamento reduz a quantidade de parasitas no organismo do animal, mais não elimina 100% a presença dele, por isso é importante que o cão, seja acompanhado pelo médico veterinário, e faça exames periódicos a cada 4 meses para o resto da vida, pois sempre há risco de recidiva da doença.

QUALQUER ANIMAL COM A DOENÇA PODE FAZER O TRATAMENTO??

DEPENDE. Primeiramente o veterinário vai solicitar alguns exames para fazer o que chamamos de “estadiamento da doença”, que nada mais é que saber o estágio da doença em que o animal se encontra.  A partir daí, o veterinário vai prescrever o tratamento, que não consiste só em no uso de drogas com efeitos leishmanicida, mais em outras drogas que complementarão o efeito do medicamento principal. Além disso, dependendo das alterações que o animal tenha, será necessário o tratamento sintomático, ou seja, o tratamento dos sintomas que se instalaram por consequência da doença, como infecções por bactérias na pele, entre outros.

Uma das drogas utilizadas no tratamento é o ALOPURINOL, que tem ação leishmaniostática (efeito inibitório no crescimento das leishmanias – parasita causador da doença), no entanto o seu uso tem sido INDISCRIMINADO, principalmente por parte dos proprietários que sem nenhum conhecimento profundo a respeito da doença, e do efeito da medicação no corpo do animal e no parasita, usam por conta própria de qualquer jeito, arriscando a vida de seu melhor amigo, podendo gerar consequências irreversíveis para o bichinho ou até mesmo a morte. Exemplo: animal com alteração renal NÃO PODE TOMAR ALOPUINOL e sabe por que?? Ela pode agravar essas alterações!!! Ou seja, você pode fazer com que seu melhor amigo morra mais rápido e de forma dolorosa!

NENHUM MEDICAMENTO, deve ser usado sem o acompanhamento prévio de um medicamento veterinário, principalmente se tratando de uma doença tão grave e que afeta o corpo de uma maneira geral, podendo causar as mais variadas alterações. Somente o VETERINÁRIO, está APTO a avaliar e prescrever o tratamento correto.

Porém, existem animais que NÃO ESTÃO EM CONDIÇÕES DE FAZER O TRATAMENTO, pois se encontram em um estágio avançado da doença, com alterações irreversíveis, impossíveis de responder a qualquer droga. Nesses casos, será indicado EUTANÁSIA.

A eutanásia também é indicada nos casos em que o proprietário não tenha condições de realizar o tratamento, mesmo que o animal esteja apto a realização do mesmo. Esse procedimento poderá ser realizado pelo Centro de Zoonoses ou em clínicas particulares.

IMPORTANTE NÃO ESQUECER QUE NÃO EXISTE UM TRATAMENTO PADRÃO QUE SIRVA PARA TODOS OS ANIMAIS POSITIVOS! Cada caso vai ter seu tratamento, de acordo com as alterações que o organismo do animal em questão apresentar. Então o tratamento que funciona para A pode não funcionar para B, ou alguns animais podem responder rápido e outros demorarem mais. Por isso, AVALIAÇÃO DEVE SER FEITA SEMPRE, antes de qualquer droga.

E LEMBRE-SE: tratamento para leishmaniose (calazar) é para TODA VIDA DO ANIMAL! Então pense bem antes de iniciar o tratamento, pois requer MUITA RESPONSABILIDADE, não só com a vida de seu animal, mais com a sua, o da sua família e de seus vizinhos, já que se trata de uma doença que pode ser transmitida ao homem.

Deixe o seu comentário