O consumo de adoçantes é realmente necessário e seguro? – por Adrianne Holanda

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No meu contato dia a dia com os pacientes, percebo que  o número de pessoas que usam adoçantes de forma exagerada é bem grande, alguns chegam a gotejar o líquido 15 vezes ou mais em uma única xícara de café ou copo de leite ou suco, mal sabendo dos seus malefícios para a saúde, quando consumidos sem limites! Então, sentí necessidade de escrever um pouco sobre essas substâncias.

         Começaremos pela definição de adoçantes:

         Os adoçantes ou edulcorantes são substâncias químicas, obtida de matérias primas naturais ou artificiais desenvolvidas pela indústria de alimentos. O poder de adoçamento é maior do que o da sacarose (obtida da extração da cana de açúcar). O objetivo destas substâncias é de substituir total ou parcialmente o açúcar ( ANVISA, 2016 ).

         Os adoçantes mais utilizados são: sorbitol, aspartame, ciclamato, sucralose, sacarina e agora, mais recentemente, o estévia e o xilitol. Apesar de terem sido produzidos originalmente para pessoas com diabetes, que tem restrição de ingestão de açúcar, atualmente são substâncias usadas em vários produtos e consumidas por muitas pessoas. Porém, quando consumidos em excesso, os edulcorantes podem causar efeitos colaterais, como dor de cabeça, mal-estar, alterações de humor e diarreia.

        Segundo o INCA ( Instituto Nacional do Câncer /2018 ), estudos experimentais, realizados em animais, revelam o potencial de determinados adoçantes artificiais, como o aspartame, ciclamato de sódio e sacarina sódica – bem como  consumo frequente desses adoçantes  adicionados a bebidas e alimentos ou presentes em produtos light, diet ou zero –  para desenvolvimento de câncer.

        E os estudos não param por aí…

        Os efeitos dos adoçantes artificiais na glicemia ganhou destaque num artigo científico publicado no periódico “Nature” e relata os achados de um grupo de pesquisadores israelenses sobre os malefícios de alguns adoçantes (aspartame, sucralose e sacarina) na saúde metabólica e na microbiota intestinal de camundongos. Um artigo de 2008 no periódico Obesity liga o uso de adoçantes a taxas elevadas de obesidade.

     Adoçantes artificiais também induzem a intolerância à glicose por meio de alterações na microbiota intestinal. Altos níveis de sucralose podem afetar adversamente o microcosmo de bactérias do intestino de roedores, diminuindo a microbiota intestinal, podendo destruir até 50% das bactérias boas que trabalham no intestino, o que pode causar desconfortos intestinais, prejudicar a produção de serotonina (aumentando ansiedade) e reduzir a imunidade.

       Além disso, a sucralose  pode levar à obesidade e aumentar o risco de diabetes ( Nature, 2014 ) — exatamente o que as pessoas tentam evitar fugindo do açúcar, o que se torna um paradoxo ! A sucralose ainda possui consequência para a tireoide, pois o cloro de sua composição é uma substância que prejudica a absorção de iodo, que é fundamental para o bom funcionamento tireoidiano.. Possui também relação com aumento da compulsão alimentar e aumento do apetite por doces. Outros adoçantes, como o aspartame, tem relação com a depressão, Parkinson e Alzheimer. Lembrando aqui que nada está bem esclarecido, mas estudos em animais já merecem serem repensados cuidadosamente, com cautela.

        A mensagem que deve ser ressaltada mediante a leitura destes trabalhos é a de que os principais resultados foram encontrados em experimentos realizados com camundongos, os quais não podem ser diretamente extrapolados para seres humanos. As doses utilizadas para observar efeitos em seres humanos foram relativamente altas, se comparadas ao consumo habitual. Assim, o uso moderado de adoçantes (uma ou duas vezes ao dia – considerando também o consumo de produtos diet e ligth), aliado a alimentação adequada – que estimula a manutenção de uma microbiota intestinal saudável – e a atividade física, possivelmente não trará efeitos adversos. Em contrapartida, o consumo excessivo de adoçantes pode ser prejudicial e deve ser cuidadosamente avaliado.

        Por causa dos efeitos colaterais, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceram limites para a ingestão diária de adoçantes artificiais. Entretanto, há grandes dificuldades em quantificar o real consumo dessas substâncias, uma vez que elas estão presentes em vários alimentos ultraprocessados, como aqueles prontos para consumir ou aquecer, sem a indicação da sua quantidade.

       Diante dessas descobertas, embora saibamos que alguns estudos foram feitos apenas em roedores, que tal tirar o açúcar e o adoçante da sua mesa e sentir o sabor verdadeiro dos alimentos? Educar o paladar nesse sentido é muito importante e saudável para nossa vida.

        Mas caso você não consiga viver sem o sabor doce no seu dia a dia, ou nem queira tentar mudar aos poucos, resta  substituir os adoçantes artificiais pelos naturais, como stévia e xylitol, considerados seguros hoje em dia, se consumidos de forma moderada. No entanto, mais estudos ainda estão por vir e todos podem ter, de repente, efeitos negativos, como no caso da sucralose que antes era considerada segura entre os animais.

        Portanto, ressalto que é importante fazer o uso moderado, inclusive dos adoçantes naturais acima citados. Outras alternativas naturais para os não diabéticos incluem pequenas quantidades de açúcar de côco, demerara, mascavo ou mel de abelha puro.

        Na dúvida, consulte sempre seu nutricionista para orientá-lo, inclusive, em relação à quantidade permissível dos adoçantes.

        Até a próxima!

Adrianne Holanda

Graduada em Ciências Contábeis; Graduada em Nutrição; Pós Graduanda em Nutrição Clínica, Estética e Funcional; Pós graduanda em Nutrição Oncológica.

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