O que a mediação tem a ver com saúde e bem-estar? – por Danyelle Bandeira

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Há cerca de 20 anos, venho defendendo a ideia de que podemos ser protagonistas da solução dos nossos conflitos, mais precisamente quase todos. O certo é que não há como interagir com as pessoas sem que haja divergência, até mesmo uma certa discordância. O conflito é inerente à natureza humana e para melhorar nossos relacionamentos e evitar que os conflitos se tornem duradouros ou crônicos é preciso aprender técnicas de mediação para agirmos a nosso favor.

Conheci David Servan-Schreiber há 10 anos, quando li os seus três livros. O autor ressalta que, numa pesquisa feita na Universidade de Washington em Seatlle pelo Dr. Gottman, autor de “A cura do relacionamento”, a ausência de conflito é sinal de um distanciamento emocional muito grande, a ponto de impedir um relacionamento autêntico. Ele defende ser o conflito necessário e também uma oportunidade.

Foi com o Dr. David que aprendi a relação entre a utilização das técnicas de mediação com a cura das emoções e a cura dos relacionamentos a ponto de evitar doenças. Ele defende no livro “Curar” que a forma como nos comunicamos pode nos desligar daqueles que mais amamos, esposos, filhos e pais, acarretando doenças físicas e emocionais pelo distanciamento provocado por uma comunicação violenta e autoritária.

Palavras ásperas, contorção facial de desprezo, ofensas, gritos, xingamentos, dentre outras atitudes que fazemos com o outro desliga a habilidade que o cérebro tem de raciocinar. Agindo assim, ativamos o nosso sistema de defesa – fugimos ou lutamos. Muitas vezes, sem perceber, proferimos palavras que nos afastam de quem mais amamos.

A fala ou comportamento que indica para o outro um sinal de crítica, desprezo ou contra-ataque, nos desconecta do outro prejudicando nosso bem-estar físico e emocional. Foi no livro “Curar” que aprendi sobre o mestre da comunicação emocional, o psicólogo Mashall Rosenberg, autor do livro “Comunicação Não Violenta”, quando ele fala que devemos substituir a crítica por uma afirmação objetiva dos fatos e que a suspensão de um julgamento é a chave para a comunicação.

Em vez de julgar, o mais adequado é dizer o que sentimos, compartilhar nossos medos. Ao contrário de parecer fraqueza, essa atitude fortalece nossa saúde e nosso bem-estar. Reconhecer e validar nossos sentimentos e o sentimento do outro alivia a nossa alma e diminui o nosso stress. Ao passo em que o desprezo eleva o nosso batimento cardíaco de 80 ou 70, respectivamente para mulheres e homens, para mais de 110.

O olhos de uma mãe que se voltam para o teto em resposta ao que acabou de ser dito pelo filho, os cantos da boca virados para baixo ao que acabou de ter sido feito pela filha, olhos se fechando em reação à outra, e ainda aquela nossa frase típica: “bem feito!”, segundo o Dr. Gottman, vão direto para o coração, impossibilitando a solução pacífica da situação, provocando uma verdadeira desconexão entre mãe e filho.

“Uma mãe não pode fazer nada para a dor do filho sumir, mas não é só a dor que precisa ser aliviada, é a solidão, mais do que qualquer outra coisa. Adultos precisam se sentir menos solitários quando sofrem” – David Servan-Schreiber.

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