Sal Rosa do Himalaia: Desmistificando-o- por Adrianne Holanda

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo máximo de 5 gramas de sal por dia, o que equivale a 2g de sódio e a uma colherinha de café (algo que no Brasil mais do que duplicamos). O problema do sal está na quantidade de sódio que contém. Esse elemento é associado a diversos problemas de saúde pública, como a hipertensão arterial, problemas cardiovasculares, cálculos renais e inclusive ao câncer de estômago, segundo a OMS, e o sal rosa do Himalaia não contém menos que o comum: Ele fornece as mesmas quantidades de sódio que o sal de mesa. Portanto, as recomendações são igualmente aplicáveis a ele.

 Devido à relevância do sal como tempero adicionado durante a cocção de alimentos, diversos substitutos têm sido sugeridos, incluindo variedades de sal com apelo saudável, a exemplo do sal rosa do Himalaia, super falado nas mídias atualmente,  está em todo lugar, seja como substituto ao sal de cozinha nas dietas ou como ferramenta terapêutica em spas e clínicas de estética. No entanto, você sabia que não existem evidências científicas dos reais benefícios para a saúde do famoso sal?

No google aparecem mais de 300.000 resultados em português, quando se pesquisa por “ sal rosa do himalaia”. Muitos desses “achados” falam sobre os “incríveis benefícios” desse ingrediente, mas creia, todos sem nenhum tipo de aval científico. O que fica claro ao fazer a busca é que um quilo deste sal milagroso custa várias vezes mais que o comum de mesa, que não costuma passar de dois reais por quilo. O que fica evidente também é que não podemos acreditar em tudo o que está publicado e o que é caro e mais bonito de se ver, nem sempre é o melhor para nossa saúde.

O famoso sal rosa é feito a partir de cristais rochosos de sal extraídos de áreas próximas à cordilheira do Himalaia, principalmente no Paquistão. Sua cor levemente rosada deve-se à riqueza de minerais presentes nas rochas, como magnésio, potássio, cálcio. O sal rosa não se dissolve em água, mesmo durante várias horas em repouso. É  contaminado com sais de ferro e sílica inorgânica, a areia ou o quartzo que são abrasivos e não são assimilados pelo organismo humano. E todo sal tem que dissolver em água. Um sal para consumo humano não pode conter insolúveis: sejam traços ou percentuais acima de 10 ppm.

  No entanto, não existe qualquer estudo randomizado sobre benefícios ou malefícios do sal rosa nas plataformas de pesquisas científicas. Segundo análises desenvolvidas por meio de parceria entre o Instituto VP de Pesquisa e Ortofarma Laboratório, nutricionalmente, o sal do Himalaia é semelhante ao sal regular. Uma característica marcante do sal do Himalaia é a sua coloração rosada, justificada pela presença de óxido de ferro em sua composição, forma inorgânica do mineral presente nas rochas do Himalaia.

     Quando ingerido em quantidades elevadas por humanos, o óxido de ferro pode propiciar reações tóxicas graves. Todavia, o teor de óxido de ferro do sal do Himalaia não pode ser considerado um risco à saúde devido às baixas concentrações e escassez de estudos sobre o tema. Vale destacar, entretanto, que também não existem estudos que garantam sua segurança em longo prazo; como já citado, seu consumo tem aumentado nos últimos anos e poderia representar um potencial efeito deletério a saúde associado ao excesso de sódio e de óxido de ferro diante da ingestão frequente e crônica, não são encontradas justificativas nutricionais que suportem o estímulo ao consumo do sal rosa do Himalaia.

 Por fim, vale ressaltar que o sal do Himalaia, por ser um produto importado, não valoriza a produção e biodiversidade brasileira e não permite a garantia de origem. A região do Himalaia, onde o sal é extraído, abrange cinco países (China, Paquistão, Índia, Nepal e Butão) de alta densidade populacional e com elevadas taxas de poluição, o que pode comprometer a composição das rochas em que o sal é extraído.

Fonte: Instituto VP de Pesquisa

“Então Nutri, qual o melhor sal a consumir?” Sem sombras de dúvidas o sal marinho, e na quantidade sugerida pela OMS, levando em consideração patologias e individualidades. Por isso, nada substituirá sua consulta ao nutricionista, seus exames periódicos, uma anamnese detalhada. Nutrição é pura ciência, aversa a modismos. Lembrando que muitas vezes o simples e o barato é o mais eficaz.

Até a próxima.

Adrianne Holanda

Graduada em Ciências Contábeis; Graduada em Nutrição; Pós Graduanda em Nutrição Clínica, Estética e Funcional; Pós graduanda em Nutrição Oncológica.

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