Você já ouviu falar na dieta anti-inflamatória? – por Adrianne Holanda

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Vejamos antes, em que consiste a inflamação.

A inflamação, ou resposta inflamatória, pode ser caracterizada como uma cascata complexa de eventos fisiológicos, os quais promovem proteção aos tecidos e órgãos do corpo. Tal cascata atua restringindo os danos no local da agressão, embora possa ter efeitos deletérios quando ocorre de forma exacerbada (BILATE, 2007).

De forma mais simples, a inflamação é uma defesa do corpo. Só que quando é muito aguda ela vai ter que ter também uma reação anti-inflamatória. É nesse processo de desinflamação que os compostos bioativos dos alimentos ajudam o corpo humano.

É indiscutível o papel da dieta e dos alimentos na manutenção da saúde e na redução do risco de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Estudos epidemiológicos mostram que o aumento do consumo de alimentos de origem vegetal influencia positivamente a saúde, enquanto estudos in vitro e in vivo em modelo animal elucidam os mecanismos pelos quais compostos bioativos não nutrientes, presentes nos alimentos, atuam na manutenção da saúde e na redução do risco de doenças.

Por outro lado, com uma alimentação errada, as células não conseguem metabolizar os excessos de gorduras saturadas, frituras e açúcares, sofrendo uma inflamação. A dieta da maioria das pessoas é composta mais de alimentos pró-inflamatórios do que anti-inflamatórios, fazendo com que ocorra uma maior produção de substâncias que inflamam o corpo. Isso prejudica as defesas do organismo e favorece o aparecimento de várias doenças. Resultado: cansaço, inchaço, alergias, diabetes, câncer, artrite, depressão, obesidade e outras.

Todo indivíduo com sobrepeso ou obesidade é considerado inflamado. As células sobrecarregadas fazem com que o metabolismo fique prejudicado, gastando menos energia, o que reflete na balança e na sua saúde. A saída é seguir a dieta anti-inflamatória.

Os remédios anti-inflamatórios são conhecidos por tratar as inflamações, que são reações do nosso organismo a processos inflamatórios e às infecções. No entanto toda medicação tem alguma contraindicação e possíveis efeitos colaterais. Imagine se você pudesse usar alimentos em vez de remédios para prevenir inflamações. Não seria interessante? É isso o que é proposto com a dieta anti-inflamatória. O objetivo é usar alimentos que aumentem as defesas do organismo e, com seus nutrientes, nos proteja de doenças.

Os alimentos anti-inflamatórios aumentam a nossa imunidade por meio de algumas substâncias que têm a capacidade de aumentar a liberação de hormônios que inibem ou até mesmo bloqueiam a ação inflamatória para reparar uma lesão. Entre essas substâncias estão o ácido graxo ômega 3, a alicina, a antocianina e a vitamina C.

Muitos alimentos podem ser incorporados à rotina alimentar para que sejam aproveitados o benefício não só anti-inflamatório, mas também antioxidante. Entre eles estão:

– Peixes de água fria e profunda: fontes de proteína e de ômega 3. Exemplos: salmão, atum, arenque, sardinha, cavalinha, entre outros;

– Hortaliças verde-escuras: são ricas em nutrientes que combatem a inflamação e os radicais livres. Exemplos: espinafre, rúcula, brócolis, agrião, escarola e couve;

     

– Hortaliças alaranjadas: são fontes de betacaroteno, um excelente antioxidante. Exemplos: cenoura e abóbora;

– Frutas: as cítricas são fontes de vitamina C, que atua como antioxidante. As vermelhas, além da ação antioxidante, atuam também contra a inflamação;

– Castanhas: castanhas de caju, castanha-do-pará, amêndoas e nozes são alimentos ricos em selênio, que atua como antioxidante, além de possuírem boas gorduras;

– Sementes integrais: são fontes de fibras, vitaminas e minerais. Exemplos: linhaça, gergelim, gérmen de trigo (ação protetora contra a poluição), quinua (excelente fonte de proteínas e gorduras boas), amaranto;

– Outros alimentos importantes que não devem faltar no plano alimentar para espantar de vez a inflamação são: curcumina, alho cru, cebola, tomate, pimentão vermelho, feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico, clara do ovo, azeite de oliva extra-virgem, gengibre, couve-flor, abacate, nabo, rabanete e repolho.

   

– Entre as bebidas que ajudam na dieta anti-inflamatória estão os chás de ervas principalmente o chá-verde e o chá de alecrim, gengibre, água mineral sem cloro, e o resveratrol contidos no suco de uva integral 100 % puro e vinho tinto. Esses dois últimos devem ser tomados de forma moderada, até 1 taça por dia ( 50 ml ).

       

Antes de começar a dieta anti-inflamatória, deve-se consultar um nutricionista especializado para saber quais são os alimentos indicados e para montar um cardápio individualizado, que privilegie as necessidades do seu organismo.

Até a próxima!

Adrianne Holanda

Graduada em Ciências Contábeis; Graduada em Nutrição; Pós Graduanda em Nutrição Clínica, Estética e Funcional; Pós graduanda em Nutrição Oncológica.

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