Vocês são pais superprotetores? Conheçam os riscos da superproteção – por Sileli Santiago

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Mother and son --- Image by © Heide Benser/Corbis

Seu filho está tentando amarrar o tênis e você corre para terminar a tarefa por ele. A criança está tendo dificuldade para fazer o dever de casa e você completa os exercícios. Um amigo do condomínio chama o seu filho para passear no parque e você não permite porque teme que ele se machuque. Se você se identifica com essas situações, talvez seja hora de refletir se a sua vontade de proteger o seu filho está passando do limite.

Cuidar dos filhos é obrigação dos pais, mas quando essa proteção se torna excessiva, o desenvolvimento dos pequenos pode ser seriamente comprometido.  Crianças superprotegidas têm mais dificuldade de se tornarem pessoas autônomas e independentes. São mais medrosas, impacientes e inseguras.

Quando os pais fazem “de tudo” para seus filhos, ou pior, fazem tudo “no lugar” dos filhos, estão impedindo que eles amadureçam.  E uma das tarefas mais importantes dos pais é preparar as crianças para serem adultos independentes, com uma boa autoestima e autoconfiança. As crianças precisam adquirir estratégias para lidar sozinhas com seus problemas.

Você deve estar pensando: mas meu filho é tão frágil e precisa ser protegido. Claro, mas com equilíbrio. A superproteção dificulta o processo de aprendizagem dos pequenos porque os pais não lhe dão a oportunidade de errar para aprender, fazendo tudo por eles. Mas os cuidadores não podem esquecer que as pessoas aprendem com as consequências positivas e negativas e com as suas experiências.

Alguns pais vivem repetindo todos os dias para os seus filhos: “não faça isto, você pode se machucar”, “você não vai para esse passeio da escola porque pode ser perigoso” e muitos outros nãos. Mas se os pais passam a vida alertando os filhos sobre todos os perigos, por mais improváveis que sejam, criarão sujeitos medrosos.

Atenção pais: não deixar a criança ir ao chão para brincar em um lugar sujo é bem diferente de não deixar a criança engatinhar na sala de casa. Ela precisa explorar o ambiente para desenvolver a motricidade e a cognição. Não podem ficar restritas a um mundo sem desafios e riscos. Se isso ocorrer ela crescerá com receio de se machucar, de dormir sozinha e experimentar coisas novas.

Como seus pais sempre lhe deram tudo para que não sofressem e nem ficassem frustrados, estas crianças não conseguirão tolerar as frustrações. O mais provável é que reajam com raiva e até com agressividade diante das negativas que tiverem na vida, o que pode levá-las a ter dificuldades nas relações sociais.

Informo sempre aos pais que me procuram na clínica que os filhos de cuidadores superprotetores têm uma tendência maior a sofrer de ansiedade e depressão. As crianças podem encontrar dificuldade para desenvolverem uma autoestima saudável, que as façam avançar na vida como pessoas assertivas e capazes de superar dificuldades.

E você que é mãe ou pai e se identificou com este texto, ainda tem tempo para mudar o seu comportamento e ajudar o seu filho a se tornar uma pessoa independente e feliz. Não o superproteja. Dê ao seu filho a oportunidade de poder enxergar o mundo com seus próprios olhos, de viver momentos mágicos, e superar seus medos e inquietações.

Sileli Santiago

Psicóloga e psicopedagoga Instagram: @silelirochapsi

 

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